A ministra da Coesão, Ana Abrunhosa, foi recebida no salão nobre dos Paços de Concelho de Terras de Bouro, numa cerimónia que antecedeu aa duas inaugurações programadas. Na presença dos presidentes de junta, do presidente da ATAHCA, Mota Alves, do deputado Carlos Cação, de vários elementos da Assembleia Municipal e do secretário do CIM Cávado, Rafael Amorim, entre outros, Manuel Tibo deixou vários pedidos.
“Queremos as freguesias com gente, o Parque Nacional com gente, e só com gente é que o concelho prospera”, começou por dizer o autarca, precisando, para isso, “de ser criativos, imaginativos e inteligentes e não ter medo de arriscar, muito menos ter medo de perder”.

No entanto, o autarca lembrou que há projetos estruturantes para Terras de Bouro e para o Parque Nacional, “é estratégico perspetivar-se ações e meios para os desenvolver”, que não andam apara a frente devido “a imensas condicionantes: reserva ecológica nacional, reserva agrícola, a carta de perigosidade, plano de ordenamento da Albufeira da Caniçada e de Vilarinho da Furna, Plano de ordenamento do Parque Nacional e a cobertura de 94% do Território de Rede Natura”.
Falta de água é “inaceitável”
Com dois rios e duas albufeiras, o autarca questionou “como é possível faltar água nas torneiras, temos mais de 85 reservatórios, 133 captações, vejam a despesa enorme que temos no roçamento municipal, onde a leitura ainda é manual e a energia não é renovável”.

A taxa de cobertura de saneamento está nos 34%: “temos dezenas de fossas e estações elevatórias e aguardamos há anos que as Águas do Norte’ façam investimentos necessários e prometidos”.
Manuel Tibo, também, criticou as ‘Infraestruturas de Portugal’ que “não investem há anos no concelho: pretendemos requalificar, corrigir traçados e construir uma rede pedonal em alguns troças de estradas nacionais e acabar de vez com a curva do Eiras”.
Ligação entre Vales
“Uma verdadeira ligação” entre o vale doo Homem e o Vale do Cávado foi outros dos pedidos, lembrando Manuel Tibo que só em direção a São Bento passam mais de 2,5 milhões de peregrinos e “é um calvário a entrada e saída do concelho no verão” bem como “a tão prometida via intermunicipal Homem/Lima que iniciou em 2002 e 20 anos depois não tem ligação solução de continuidade. A ligação à auto estrada é um sonho com mais de 40 anos”.
Marina de Rio Caldo
A ampliação da Marina de Rio caldo, a criação de zonas de estacionamento e uma via alternativa na chegada à vila do Gerês, passando por S. Bento da Porta Aberta, criando assim estacionamento e o reordenamento do trânsito junto à Albufeira da Caniçada.
Manuel Tibo a finalizar deixou um “pedido especial: a criação de uma Unidade de Cuidados Continuados, nas instalações devolutas do Centro de Saúde de Terras de Bouro” pois “a resposta que existe em concelhos vizinhos rapidamente fica esgotada, e os nossos utentes para encontrarem vaga, ficam muitas vezes a mais de 70 quilómetros de casa”.
Ana Abrunhosa
A ministra da Coesão mostrou-se disponível para ajudar o concelho, “não é a primeira vez que me transmite essas preocupações”, mas reconheceu as “fortes pressões para aliar a preservação com o desenvolvimento sustentável. Há, no entanto, condições básicas que têm que ser salvaguardadas”.
Ana Abrunhosa deixou, como primeiro compromisso, “o trabalho em rede. Vamos sentar todas as entidades que estão no terreno e arranjar soluções porque se se sentirem comprometidas com o território vão ser parceiras”.

Pedindo a Manuel Tibo que elenque as prioridades apresentadas, a Ministra sugeriu que o saneamento estivesse no topo da lista: “não podemos fazer o saneamento neste território como no resto do país, porque é diferente”. A melhoria das condições de visitação, também, foi bem acolhida por Ana Abrunhosa: “se quem visita se sentir acolhido, com condições, vai voltar e isso, é fundamental, para a criação de emprego e a melhoria das condições de vida”.
“Sim ao saneamento, sim à melhoria das condições de visitação”, terminou a Ministra lembrando que “este é o momento” porque há PRR, Portugal 20-30. No final, ficou a promessa: “daqui a um ano teremos que estar aqui a prestar contas do nosso trabalho, é sinal que estamos a fazer o nosso trabalho”.
