A câmara de Terras de Bouro vai avançar com a criação de uma Quinta Pedagógica, na freguesia de Covide, nas imediações do Centro Interpretativo do Garrano. O projeto já está pronto e deverá avançar em breve para concurso público tendo como entidade promotora a ‘Calcedónia – Fundação para o Desenvolvimento Rural’.
Com uma área a rondar os 30 hectares, o projeto prevê a demolição e construção do empreendimento designado por ‘Quinta Pedagógica’ composto pela remodelação de duas casas rurais, construção de anexos, arranjos exteriores.
Depois de adjudicada, empreitada tem um prazo previsto de conclusão de 10 meses onde estão incluídos os trabalhos que passam pela instalação de um estaleiro, movimentação de terras, reparação de alvenarias, cantarias, impermeabilização e coberturas, carpintaria, serralharia e alumínios, revestimento de paredes e de tetos, pinturas e acabamento finais, sanitários e arranjos exteriores.
O terreno da intervenção tem uma área de 29703.45 m2 e situa-se numa encosta exposta a Norte da freguesia, caracterizada por uma acentuada pendente em direcção ao curso de água que o limita a Norte, e por uma densa vegetação a Nascente.
A humanização da paisagem introduziu elementos construídos e modeladores, os quais afirmam o carácter rural do território. Os muros, os caminhos, os canais de drenagem e alimentação de água e as edificações são aqui presenças estruturantes, determinando os princípios gerais da intervenção.
Segundo o presidente da câmara de Terras de Bouro, “a intervenção irá respeitar os valores paisagísticos e patrimoniais existentes; a integração das novas valências; a consolidação dos valores ambientais e a criação de um espaço de ‘afetos’”.
O arquiteto responsável pelo projeto, José Vale Machado, “a proposta de projeto responderá às questões decorrentes do cruzamento das várias condicionantes físicas e legais, não só do terreno em si como da envolvente, seja ela construída ou não”.
Assim, “a diferença de cotas verificada, bem como a existência de um interessante conjunto de muros de granito que suportam o terreno, sugere um tratamento de modelação em socalcos, reforçando o seu carácter rural e permitindo que cumpra os pressupostos da cultura biológica”.
Este trabalho de modelação da paisagem conjuga-se com o aproveitamento do sistema de escoamento de águas existente, que continuará a cumprir a função de drenagem e rega do terreno, funcionando igualmente como elemento caracterizador da paisagem.
“De todo este sistema de regadio e drenagem de água existente, destaca-se um canal de água (levada) a revitalizar que, atravessando a totalidade do terreno, constitui uma importante marca no território”, acrescenta o arquiteto.
Os percursos pedonais existentes resultam naturalmente da topografia e morfologia do terreno, sendo reduzidos ao essencial, deixando assim a possibilidade de escolha ao visitante que pode, além dos percursos principais, percorrer e explorar livremente o território.
Reabilitação de dois edifícios existentes
A dar sustentabilidade à quinta pedagógica surge um conjunto edificado pré-existente, constituído por dois edifícios de pequena escala que serão reabilitados e recuperados, de modo a assegurar os serviços mínimos de apoio a esta estrutura essencialmente agrícola.
As características estruturais destas edificações serão mantidas, sendo-lhes atribuída uma nova função, que passará a ser de receção/loja para o primeiro edifício e albergue para o segundo.
Ambas as construções se apoiam na via pública existente, cujo traçado estava previamente determinado.
Os materiais a utilizar serão os existentes no local, granito e madeira, de modo a diluir o impacto visual das construções existentes, bem como dos novos edifícios de apoio à atividade agrícola e pecuária, como sejam arrumos para alfaias agrícolas e abrigos para os animais.
As construções propostas para abrigo dos animais, quando necessárias, serão de carácter precário, construídas em fardos de palha compactados, revestidos a argamassa, com cobertura em estrutura de madeira, a localizar conforme as necessidades de exploração.
