Amares

Encontro Arciprestal: “Quem não serve para servir, não serve” lembrou D. José Cordeiro em Amares

“Na Igreja, quem não serve para servir, não serve”, lembrou D. José Cordeiro aos dirigentes associativos
e líderes políticos de Amares, presentes no encontro conclusivo da Visita Pastoral àquele arciprestado,
subordinado ao tema ‘Igreja e Bem Comum’.

Segundo o prelado bracarense, “é urgente renovar e aprimorar o serviço da caridade, quais artesãos de
fraternidade e proximidade, contando sempre com o contributo de todos, de modo que a política seja
essencialmente o cuidado das pessoas e em que ninguém fique de fora”.

“Liderar é servir. Liderar é amar. Servir valores, ideais e pessoas”, disse. E dando conta que, “o bem faz sempre bem”, o arcebispo bracarense chamou a atenção para a eterna tentação de querer agradar e
servir outros deuses: “Êxito e sucesso não são nomes de Deus”.

D. José Cordeiro disse ainda, a propósito dos casos de pedofilia na Igreja, “ser hora de dar a cara por
Aquele que acreditamos, conscientes também de que alguns membros traíram a confiança dos mais pequeninos ao abusarem do seu poder e autoridade”.

“É uma Igreja ferida, fragilizada, mas eu amo esta Igreja onde infelizmente existe muita coisa e pessoas
contra o Evangelho. Todos somos pecadores, apesar de haver quem julgue que os pecadores só estão na
Igreja”, agradecendo ainda a “muita coisa boa” que os bispos visitadores tiveram oportunidade de encontrar no arciprestado de Amares.

José Marques Fernandes, convidado a dar o seu contributo para o debate, lembrou que “o bem comum
é o que congrega e põe em marcha uma sociedade saudável” e que “a crise é uma oportunidade para
corrigir desvios e reorientar a caminhada, onde algo se perde, algo permanece e algo de novo se acaba
por alcançar”.

“A política melhor é a política colocada ao serviço do bem comum, ao contrário da política subordinada
aos interesses individuais e apegada ao poder”. Porque as grandes decisões políticas não devem pôr em
causa as condições de vida das gerações futuras, a sua missão implica “ouvir o clamor da terra e o clamor
dos pobres» e cuidar dos idosos já que «onde não há espaço para eles vem o vírus da morte, porque se
despreza as raízes”.

José Teixeira, outro dos convidados, defendeu que o futuro da Igreja e da sociedade se joga na defesa dos
valores humanos e da liberdade. “Será uma luta entre a liberdade individual e a imposição de interesses
dos estados, grupos e ideologias”.

Para este docente universitário, a Igreja precisa estar mais atenta ao modo de comunicar (“coordenar e
falar a uma só voz”; “a forma é tão importante como a mensagem”) e ao papel das mulheres na organização da Igreja, também na participação em lugares de governo, vulgo hierarquia.

“A Igreja de Amares será melhor quanto melhor for a imagem que os cristãos tiverem da Igreja universal,
sem negligenciar as diferentes responsabilidades dos seus membros, certos de que a hierarquia é sempre
a primeira imagem que a sociedade tem da Igreja”, vaticinou.

A Visita Pastoral a Amares iniciou-se a 27 de novembro último, numa celebração eucarística em Santa
Maria de Bouro e termina, simbolicamente, a 28 de maio, aquando da peregrinação arciprestal ao santuário de Nossa Senhora da Abadia.

Para além deste encontro, foram ainda promovidos outros no âmbito da pastoral profética, dimensão litúrgica e com os membros dos conselhos económicos paroquiais.

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