Vila Verde

Incêndio em Vila Verde combatido apenas por um único bombeiro denuncia Sindicato

O Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (SNBP) esteve reunido com os associados da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários (AHBV) de Vila Verde para debater “os problemas operacionais que afetam gravemente a corporação Vilaverdense”, refere o sindicato em comunicado.

No encontro, que teve a duração de duas horas e meia, “os Bombeiros manifestaram o clima de medo e de insegurança que vivem diariamente no quartel devido às constantes perseguições e ameaças por parte da Direção. Estes trabalhadores são frequentemente pressionados com ameaças de despedimento se não cumprirem os turnos no serviço Pré-Hospitalar”, denuncia o sindicalista Pedro Amorim.

Entre as várias queixas dos trabalhadores da AHBV Vilaverdense, Pedro Amorim destaca “a coação e perseguição aos trabalhadores; a discriminação negativa a uma Bombeira, que prestou provas para integrar a Equipa de Intervenção Permanente, apresentando boas qualificações, mas foi excluída. Anteriormente, esta Bombeira quando foi mãe solicitou o direito à amamentação da sua criança, tal como está previsto na lei. Esta situação nunca foi bem aceite pelos responsáveis da AHBV Vilaverdense. Esta coincidência deixa muito a desejar. O que deveria efetivamente acontecer, nestas situações, era que as Bombeiras tivessem um maior apoio por parte da Entidade Patronal”.

Mas há mais: “os materiais dos Equipamentos de Proteção Individuais completamente obsoletos que não reúnem as devidas condições de segurança para os operacionais. Fomos informados que não são desinfetados há 10 anos; o quartel apresenta condições extremamente precárias e degradantes, ao ponto de não estarem reunidas, nem garantidas, as devidas condições de higiene, segurança e bem-estar para os Bombeiros. Para agravar a situação, têm surgido vários problemas com ratos e ratazanas nas instalações do quartel e a falta de efetivos para assegurar o devido socorro à população. Existem apenas 30 assalariados e cerca de 60 voluntários”.

A situação “é preocupante” e Pedro Amorim dá um exemplo: “na sequência de um incêndio num carro, provocado pelo despiste dessa mesma viatura, na EN205, em Vila de Prado, no concelho de Vila Verde, na madrugada do dia 16 de abril, o Corpo de Bombeiros de Vila Verde foi acionado para a ocorrência. O alerta foi dado às 04h53, tendo sido mobilizado um Veículo Urbano de Combate a Incêndios (VUCI) da AHBV Vila Verde, com apenas com um único Bombeiro. Como é que um Bombeiro consegue intervir sozinho num incêndio?”.

Em regra geral, as equipas do VUCI são constituídas por seis elementos. No entanto, em determinadas situações, por falta de efetivos, poderão ter o mínimo cinco operacionais. Deste modo, às 05h25, os Bombeiros Sapadores de Braga, foram chamados ao local, apoiados por um VUCI e duas ambulâncias.

Diariamente, os Bombeiros Voluntários de Braga e os Sapadores de Braga realizam entre dois e três serviços de Emergência Pré-Hospitalar para Vila Verde. “Por conseguinte, demoram cerca de 20 a 30 minutos a chegar ao local, uma vez que não conhecem as áreas. Ao passo que os Bombeiros de Vila Verde conseguiriam prestar estes serviços mais rapidamente”.

A finalizar Pedro Amorim, diz que “a falta de operacionalidade coloca em causa, não só, o socorro à população de Vila Verde, assim como a todo o distrito de Braga. O SNBP e os trabalhadores, impreterivelmente, não deixarão de exigir o respeito pelos seus direitos e por melhores condições laborais”.

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