Os Balneários Públicos de Lobios fazem as delícias dos portugueses, sendo cada vez mais aqueles que atravessam as antigas fronteiras da Portela do Homem (Terras de Bouro) e da Madalena (Ponte da Barca) para banhar-se, nas águas termais, quentes e relaxantes, no Parque Transfronteiriço Gerês/Xurés, o que, ao contrário de Portugal, podem fazer todo o ano e gratuitamente.
A Vila do Gerês, no concelho de Terras de Bouro, peca pela sua sazonalidade, estando todos os anos meses a fio sem qualquer atividade termal, pelo que os aquistas portugueses não têm outra alternativa que não seja ir até à província de Ourense, a capital do termalismo, na Galiza, bastando percorrer 20 quilómetros para ter termas gratuitas, 24 horas por dia e sete dias por semana.
O espaço é considerado milagroso, enquanto tratamento natural para problemas relacionados com a saúde, especialmente para quem tem problemas ósseos ou reumatismo, tal como problemas de pele, entre os quais psoríase, beneficiando do relaxamento proporcionado pelo calor das águas, atingindo temperaturas que nem todos suportam, como quem sofre problemas cardíacos.
Por isso, não será de estranhar serem mais os portugueses do que os espanhóis (com destaque para os galegos) diariamente em Os Baños, naquela zona termal por excelência, ouvindo-se falar mais português do que galego ou castelhano, especialmente a coincidir com o tapamento, por subida artificial, das águas termais mais próximas, que são as de Quintela, em Bande, Ourense.

Estas últimas, recentemente celebrizadas pela série da Netflix “A Desordem que Deixas”, situam-se quase ao lado do célebre acampamento romano Aquis Querquennis, passando ali o rio Limia, sendo habitualmente mais frequentadas por elementos de conotações aos movimentos hippies, das pequenas comunidades que deambulam habitualmente mais entre a Galiza e o Minho.
Um hotel ao lado da piscina pública
Chama-se Os Baños o sítio do lugar de Bubaces, em Lobios, concelho que faz fronteira com Terras de Bouro e Ponte da Barca, onde para fazer termalismo só paga quem quer e claro está, quem pode, no Hotel Caldaria, uma vez que ali mesmo ao lado, há uma piscina, ou melhor, um grande tanque, permanentemente com água, naturalmente quente, a par de diversas lagoas termais.
Poucas centenas de metros antes de chegar a Os Baños, pelo interior, precisamente pela Estrada Romana, como está designada por uma placa de madeira, avista-se a Mansio Aquis Originis, podendo subir-se a um pequeno varandim em aço, de onde mais e melhor se observa o ambiente de cozinha daquela estrutura bimilenar romana, tal como o ambiente termal, bem conservados.
O informalismo é a palavra de ordem naquele recanto, ao fundo do vale do rio Caldo, o rio Caldo galego, que nasce abaixo da Portela do Homem, já do lado galego, enquanto o rio Homem inflete para o flanco minhoto, enquanto as águas termais têm a mesma origem, uma fratura geológica que a partir das profundezas serranas se expande simultaneamente para ambos os países.

Mas nem tudo são rosas naquele paradísico local, porque sendo inteiramente gratuito e sem vigilância, há quem o conspurque, fumando e atirando as beatas de cigarro para dentro da própria piscina, bem como comendo e bebendo, ou ainda levando cães, o que é proibido, assim estragando e vandalizando um espaço único de natureza assegurado pela Câmara Municipal de Lobios.
Entre o Hotel Caldaria e os chamados Balneários Públicos de Lobios há um parque de autocaravanas, cujos viajantes são dos mais frequentes utentes das águas termais, descobertas pelo império romano, passando ali mesmo a Via XVIII, a Geira ou Via Nova, cruzando-se ali as Milhas XXXVIII e XXXIX, do percurso entre Bracara Augusta (Braga) e Asturica Augusta (Astorga).
À entrada do hotel um marco miliário, bem epigrafado, derrama permanentemente água quente das profundezas, sendo como uma espécie de cartão de visita para quem se dirige à piscina termal daquela unidade hoteleira, que alguns escolhem para poder passar alguns dias, enquanto outros optam pela residencial frente aos Balneários Públicos de Lobios ou por alojamento local.
