Cientista português foi distinguido com o prémio European Early Career Conservation Award

Ricardo Rocha, investigador do CIBIO-InBIO, Universidade do Porto, foi distinguido com a atribuição do prestigiado European Early Career Conservation Award, atribuído pela Society for Conservation Biology.

Este reconhecimento resulta do relevante contributo do seu trabalho para a conservação na natureza, bem como do seu incentivo a uma comunidade científica mais diversa.

Este prémio reconhece o trabalho de cientistas em início de carreira na área da conservação da natureza e visa inspirar uma nova geração de investigadores dedicados à salvaguarda da biodiversidade e à minimização dos impactos das alterações globais.

Destina-se a enaltecer o trabalho de jovens investigadores com contributos significativos para a conservação do património natural, quer seja através da investigação, da intervenção no terreno ou a nível da atuação política e educativa.

A Society for Conservation Biology é uma organização internacional sem fins lucrativos que reúne profissionais e estudantes dedicados ao avanço da ciência e implementação de práticas de conservação que promovam e protejam a biodiversidade no planeta.

É também responsável pela publicação de três das mais influentes revistas científicas na área, entre as quais a Conservation Biology.

Ricardo concluiu, em 2017, o doutoramento em Biologia da Conservação pelas Universidades de Lisboa e de Helsínquia.

A sua tese, resultante de mais de dois anos e meio de trabalho na Amazónia Brasileira, foi nesse mesmo ano distinguida com o Prémio de Doutoramento em Ecologia Fundação Amadeu Dias, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Ecologia.

Entre 2017 e 2019 foi investigador de pós-doutoramento no Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, onde trabalhou num projeto que visa sintetizar informação relativa às melhores práticas de conservação de natureza a nível mundial.

O seu segundo pósdoutoramento, financiada pela Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação da Madeira, está a ser desenvolvido no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO) da Universidade do Porto, e tem como objetivo estudar a ecologia de morcegos no arquipélago da Madeira e o seu papel no controlo que insetos nefastos para a agricultura.

Com um percurso profissional diverso, tem conciliado a sua carreira científica com variadas colaborações relacionadas com a sensibilização, educação ambiental e conservação da natureza.

No campo científico tem mais de 40 artigos publicados, a sua maioria no domínio da ecologia tropical, tendo realizado importantes descobertas relacionadas com o efeito da fragmentação da floresta Amazónica nas populações de morcegos.

Uma parte considerável do seu trabalho focou-se em Madagáscar, onde participou em estudos sobre o efeito da expansão agrícola nas comunidades de aves da ilha e sobre a avaliação da eficácia das áreas protegidas na proteção da floresta nativa.

Mais recentemente fez parte da equipa que mostrou que os morcegos deste país consomem vários insetos praga e, consequentemente, podem prestar serviços valiosos aos agricultores locais.

Colabora com várias ONGs nacionais e internacionais de conservação da natureza e é membro fundador da Associação Portuguesa de Herpetologia. Ainda como estudante, colaborou com vários projetos de educação ambiental, de onde se destacam o programa Programa Eco-Escolas e Jovens Repórteres para o Ambiente.

Nas áreas da sensibilização e divulgação ambiental, fez parte do conselho editorial da revista “Pardela” publicada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e é autor do primeiro guia de campo para os morcegos da Amazónia.

Mais recentemente, foi consultor científico do livro “Wild in the City”, publicado pela Lonely Planet e destinado a encorajar as crianças a descobrir a natureza no meio urbano.

Participou em várias campanhas de sensibilização sobre a importância da biodiversidade e os seus trabalhos já chegaram às páginas da revista National Geographic e de vários outros periódicos nacionais e internacionais.

No que toca à promoção da diversidade na ciência e na conservação, Ricardo fez parte do comité para a Igualdade, Diversidade e Inclusão da Society for Conservation Biology e ajudou a implementar uma rede de investigadores pertencentes a minorias étnicas na Universidade de Cambridge.

“Como não poderia deixar de ser estou muito feliz e honrado pelo prémio, mas tenho claro que mais do que refletir o meu trabalho individual, esta distinção reconhece o facto de ao longo dos últimos anos ter tido muitos e excelentes colaboradores”, diz Ricardo. E acrescenta, “acho esta distinção particularmente importante porque foram muito poucos os cientistas portugueses de origem africana com que me cruzei enquanto estudava. Ter conseguido este prémio é sem sombra de dúvidas uma mais-valia para o meu futuro profissional, mas é também um reflexo que a ciência e a conservação da natureza em Portugal e na Europa podem ser mais diversas”, diz o investigador.

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