A metamorfose do excremento

Em 1915, o escritor austro-húngaro Franz Kafka publicou “A Metamorfose”.
O livro descreve um caixeiro viajante que abandona as suas vontades e desejos para sustentar a família e pagar a dívida dos pais. Até que, certa manhã, acorda metamorfoseado num inseto monstruoso e passa a ser rejeitado por toda a gente.
A história é surreal, apenas ao alcance de um génio criativo como Kafka.
Decorridos 105 anos, eis-nos perante um acontecimento semelhante. Não se trata de humanos que se transformam em insetos mas sim de excrementos que adquirem a forma de humanos.
Eles caminham entre nós, vestem-se como nós, misturam-se com os verdadeiros humanos e assumem cargos e posições de destaque na nossa sociedade. Mas continuam, apenas e só, excrementos metamorfoseados de humanos.
Políticos mentirosos e manipuladores, diretores de jornais frustrados, responsáveis por instituições cobardes, líderes partidários falidos, empresários desonestos e vigaristas, assim como toda uma seita de apedeutas que surgem por aí como erva daninha.
Estes excrementos metamorfoseados de humanos têm ao seu redor uma espécie de aura permanente de moscas varejeiras que se alimentam dos dejetos que fluem dos seus poros. Sim, porque embora pareçam humanos por fora, trata-se apenas de um invólucro recheado com a sua verdadeira essência: excremento!
Estas ‘coisas’ mal cheirosas dedicam toda a sua triste existência à mentira, à intriga, à manipulação, à destruição. Concentram todas as suas energias na tentativa ridícula de ‘envenenar’ todos os outros que não são feitos da mesma matéria fecal.
Tudo isto apenas para obterem proveito para si próprios, de forma gananciosa e selvagem, visto não terem capacidade intelectual para satisfazerem a sua cobiça de outra forma.
A humanidade está num processo acelerado de extinção. Não por questões de poluição, não por questões de alterações climáticas, não por questões de esgotamento dos recursos naturais: entramos em extinção porque estamos a ser contaminados por estes fecaloides, estes excrementos metamorfoseados de humanos!

 

Emílio Rodrigues | Jornalista

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