José Nuno Azevedo de regresso ao GD Prado
José Nuno Azevedo falou ao Terras do Homem sobre o seu regresso, das suas perspetivas, da situação do futebol com a pandemia de Covid-19 e das incertezas relativas à nova época.
TH – Quais as suas expectativas neste seu regresso ao GD Prado?
JNA – As expectativas são uma incógnita total. Ao nível da competição serão duas séries, sem sabermos em que moldes e como, que quadro competitivo vamos ter, por isso tudo é uma incerteza.
No que se refere ao plantel, é um plantel diferente. Conseguimos reter no grupo um ‘esqueleto’ que nos permite ter alguma confiança e alguma serenidade para aquilo que vai ser a construção do plantel. Embora, e reconhecendo o mérito e a qualidade enorme que o plantel tinha, nós perdemos jogadores como o Sobrinho, Diego, Ni, Duarte (que vai parar), Jardim e Diogo Coelho (por opção de ambos). Trata-se de jogadores que foram importantes num determinado contexto e foram perdas importantes. Agora, que plantel iremos ter é isso que nos dirá depois quais as expectativas.
Porém, há uma regra e uma norma a que eu obrigo as minhas equipas e me obrigo a mim mesmo que é, independentemente do grupo que venha a ter e conseguir construir, ter a ambição de ganhar. Esta é uma obrigatoriedade que os jogadores que já trabalharam e que vão trabalhar comigo vão perceber rapidamente.
Relativamente ao que é toda esta envolvência, esta nova realidade que nos traz tremendas incertezas, é óbvio que também isto vai ser um processo novo. Se nos profissionais estamos a perceber a dificuldade e a menor capacidade dos jogadores e das equipas, que dizer de jogadores amadores em que muitos deles não estão a realizar praticamente nada em termos atléticos, físicos e de treinos. Como irão reagir cinco meses depois do último jogo que fizeram? Essa é uma grande incógnita, até para nós como treinadores e os idealistas daquilo que vai ser o treino e do processo para construir uma equipa competitiva. Tudo isso são dados e situações novas que ainda hoje não tenho a mínima noção do quê, quando e como vai ser e que condições vão ter os atletas.
Vai ser uma situação nova para todos, nem vai ser desculpa para mim nem para ninguém porque é igual para todos, porque ninguém viveu isto em nenhum momento. Por isso, vamos encarar essa nova normalidade como uma competição diferente que inevitavelmente vai ter de ser. Dizer agora que queremos isto ou que queremos aquilo, na minha perspetiva, é irreal e é um tiro no escuro e isso eu não faço, o que eu vou querer é, quando começar o campeonato, que a minha equipa jogue para ganhar. Se vamos ter capacidade, qualidade ou competência, mais perto da competição veremos.
TH – O Prado renovou com 11 elementos do seu plantel, para além da promoção de seis dos seus juniores a equipa sénior. Vai procurar mais reforços?
JNA – É inevitável… o grupo vai ter de ter mais jogadores. Neste momento temos 16 jogadores e guarda-redes no mínimo dos mínimos, mais três ou quatro jogadores entrarão… quem são eles?…veremos, depende das condições que o Presidente e a Direção podem proporcionar aos jogadores. Sabíamos que este defeso ia ser muito difícil para muita gente mas, na realidade, todos os jogadores que nós perdemos foi por incapacidade financeira. Temos de saber conviver com isso também, mas vai entrar gente que à partida nos possa acrescentar alguma coisa, se for possível. Se não for possível, aqueles que teremos serão todos com o meu aval e com a minha anuência. Quero, primeiro, formar um grupo de homens e depois um grupo de jogadores que nos permita competir de igual para igual com qualquer adversário.

TH – Vai trazer algum jogador da sua confiança que já tenha trabalhado consigo?
JNA – Neste momento não tenho ninguém em vista. Se, entretanto, aparecer algum jogador que eu conheça bem e se eventualmente acontecer será com naturalidade. Foi assim que aconteceu há dois anos com Diego já com a época iniciada e eu não hesitei, porque sabia bem a capacidade e a qualidade e fiz um ‘forcing’ grande junto do Presidente para o contratar. Se acontecer um caso idêntico, obviamente que sim.
TH – Tem algum objetivo especial em termos de classificação?
JNA – Objetivo especial não. O objetivo do Prado terá de ser sempre o próximo jogo, mas com uma obrigatoriedade que é ficar no Pró-Nacional. Sem ser um objetivo, é uma obrigação, é jogar para o que tem de ser. Agora, não vou dizer que vamos jogar para atingir o lugar X ou para o lugar Y, vamos jogar para ganhar o jogo que temos pela frente.
Será a soma dessas conquistas semanais nos vai permitir melhor ou pior classificação. Vou olhar para aquilo que é a competição, olhar para aquilo que são os adversários e as adversidades que vamos ter e criar condições para poder disputar os jogos.
Em função do que se vai vendo, a teoria por vezes não vence a prática, se bem que a teoria esta mais próximo de vencer, mas nem sempre o plano teórico em futebol é o que vence, ou seja, podemos ter pela frente planteis com muitos nomes e um perspetiva muito alta mas isso não é igual a vencer. Num jogo de futebol temos sempre possibilidade de três resultados e isso é o que entendo que a minha equipa tem de ter sempre, independentemente dos jogadores que venha a ter.
Em qualquer jogo tem de haver a ambição de o ganhar e esse é o objetivo do jogo, seja ele qual for. É assim que eu tento, porque não entendo o futebol de outra forma. Mas também sei que vai haver, espero eu que poucas vezes, adversários mais capazes que nós e que não vamos ser capazes de os vencer. Isso é uma inevitabilidade que o futebol tem e todos os dias se constata.
