Vila Verde é o primeiro concelho do país a inventariar o ‘rococó’

André Soares é o nome mais incontornável quando se fala em ‘Rococó’ em Portugal. Eduardo Pires de Oliveira é o maior especialista do estilo e, pela primeira vez, identificou todas as peças de ‘rococo’ existentes em Vila Verde.

O trabalho inédito em Portugal foi convertido numa exposição patente na Biblioteca Machado Vilela até 22 deste mês e num catálogo que ficará para a memória do país.

A mostra irá depois para a Escola Monsenhor Elísio Araújo e irá passar por outras escolas e freguesias: “é uma exposição simples, discreta e de bom-gosto, fácil de montar e de transportar”, reconhece Eduardo Pires de Oliveira.

No ano em que comemoram os 300 anos do nascimento e os 250 da morte de André Soares, o desafio lançado à Câmara Municipal culminou com o primeiro estudo concelhio sobre esta arte em Portugal. “Mostrar uma arte, pouco reconhecida pelas pessoas, para que a possam preservar e evitar que a destruam ou a alterem com requalificações mau gosto” são dois dos principais propósitos do historiador.

O trabalho, fotografado por Adelino Pinheiro da Silva, passou pelas 59 igrejas paroquiais do concelho, “18 só num dia”, e deixa para a posteridade um estilo de arte “ainda pouco valorizado em Portugal”.

Uma mostra que deveria ter sido inaugurada em março, mas que “a pandemia adiou. Com o início do ano escolar não quisemos adiar mais”, referiu a bibliotecária Manuel Barreto Nunes.

O fotógrafo reconheceu “a dificuldade inicial já que estava habituado a ter tempo para tirar fotografias e aqui, vi-me confrontado com a necessidade da rapidez. Foi uma boa aprendizagem”. E ficou o bichinho pela história da arte e da arquitetura que tem desenvolvido nos últimos tempos.

Arcozelo, Escariz São Mamede, Parada de Gatim, Prado São Miguel, Pico de Regalados, Sande e Soutelo são as freguesias com mais e melhores registos de ‘rococó’, mas em quase todas as freguesias do concelho há pormenores da arte em talha, pedra ou madeira e que a exposição trás para conhecimento de toda a população.

Júlia Fernandes

A vereadora da cultura da Câmara de Vila Verde lembrou, na inauguração da exposição, “o trabalho extraordinário que foi feito de inventariação do património, das igrejas e capelas deixando para o futuro uma das nossas principais memórias”.

A exposição retrata “os tesouros que estão nas nossas igrejas e que foram encontrados pelo Eduardo”, referiu, ainda, Júlia Fernandes que destacou a itinerância da exposição: “é para levar a todo o concelho. Vai passar pelo Pólo de Prado da Biblioteca, pela escola Monsenhor Elísio Araújo, por outras escolas e por todas as freguesias que queiram”.

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