Habitat já recuperou 16 casas em Amares e Vila Verde e Terras de Bouro é o concelho que se segue

Doze casas recuperadas em Vila Verde, quatro em Amares e uma candidatura em mãos em Terras de Bouro. É este o balanço do trabalho social e solidário da Habitat nos três concelhos do Vale do Homem.

Com o distrito de Braga como área de preferencial de abrangência, a Habitat For Humanity Portugal chegou agora a Amarante através da Fundação Manuel António da Mota e já reconstruiu mais de 100 casas na totalidade.

Um trabalho “ciclópico” como reconhece a presidente da Habitat Portugal, Helena Pina Vaz, “por tudo o que está envolvido, desde licenças de construção a casas construídas em locais ilegais, à identificação das famílias, à mobilização dos voluntários, aos materiais de construção”.

Para Helena Pina Vaz, no entanto, a maior dificuldade “é retirar as pessoas da miséria porque entraram num círculo vicioso e rompê-lo é difícil”. Até nisto, o trabalho da Habitat pode ser importante: “os proprietários para serem alvo do nosso trabalho comprometem-se a quebrar esse círculo, a colaborar nas obras, a serem proativos”.

Voluntários
“São a nossa mais valia”, reconhece a presidente da Habitat Portugal. “Não precisam de perceber sobre obras basta querer fazer algo pelo próximo”. Há uma equipa mais profissional composta por engenheiros, arquitetos e trabalhadores de obras que coordenam o trabalho nas suas diferentes fases.

Os voluntários internacionais são distribuídos em função dos interesses da casa mãe da Habitat ou então preenchem vagas que possam existir.

A reconstrução das casas é feita por valores que “ninguém faz” à custa de empréstimos sem juros, donativos e mão de obra voluntária.

Famílias
O recrutamento das famílias é feito de duas formas: ou através das redes sociais concelhias “onde o trabalho já vem quase todo pronto” ou através da Habitat “e aí temos que ser nós a iniciar todo o processo”.

Muitas vezes, o trabalho de reconstrução é alterado quando se visitam os locais: “aquilo que inicialmente era ajuda para um telhado e depois de se perceber da total falta de condições acaba por ser outra coisa muito diferente”.

As intervenções, sem placas nem grandes paragonas, “porque preservamos a dignidade das pessoas”, são feitas “sem que tenhamos que deslocar as pessoas das casas”.

‘Horas de suor’
Uma das particularidades do projeto é aquilo a que se chama ‘Horas de Suor’. “Antes de ser ajudada deve ajudar na casa dos outros, mas pode fazê-lo depois. Todas as famílias ajudam na reconstrução da sua própria casa para se acabar com a ideia do coitadinho”, revela Helena Pina Vaz.

“É uma questão de dignidade, de ser parte da solução, de ser capaz de ajudar. É a ideia ‘eu estou a reconstruir a minha casa e eles vieram ajudar’”, acrescenta ainda.

Filial da Habitat Internacional
A casa mãe não permite a abertura de mais filiais em Portugal, daí a estrutura sediada em Braga abranger todo o território nacional. No entanto, a Habitat Internacional quis fechar a filial portuguesa, mas depois de ‘negociações duras’, Helena Pina Vaz conseguiu manter a Habitat Portugal aberta.

Mas foram ‘impostas’ condições: “a Habitat Internacional não publicita nada do que nós fazemos e temos que funcionar em nível de excelência com os parâmetros a ser definidos por eles”. Basicamente, não deixar ficar mal o nome da instituição e o acolhimento dos voluntários (que no caso da Habitat portuguesa é avaliado positivamente em mais de 90%).

Pandemia
Com a pandemia e a consequente proibição de voos, a Habitat foi-se readaptando à realidade “sem despedir ninguém porque isso não se faz em situações já complicadas por si. Fomos reinventando procedimentos e para já, não temos voluntários. Com o acordo das pessoas e porque despedir ficava a preços exorbitantes, foram recolocadas noutras funções”.

A situação pandémica também trouxe constrangimentos ao nível dos apoios, “na dificuldade de encontrar donativos e em atividades que estavam programadas que foram anuladas ou suspensas ainda que algumas delas já tinham sido pagas e as empresas não quiserem a devolução do dinheiro”.

 

Cantina social
Com a cantina do CLIB encerrada, Helena Pina Vaz “não podia estar parada sem fazer nada perante a pandemia e as dificuldades das pessoas” e avançou para a criação de uma cantina social. “Era para um pouco de meses e agora não vai parar porque a situação não está fácil para muitas famílias e não será por nós que não têm direito a comer”.

Num espaço provisório e à procura de um novo poiso, o trabalho da Habitat tem sido intenso: “há cinco cantinas sociais na cidade de Braga e todas juntas servem menos refeições do que nós”.

A trabalhar de domingo a domingo, “porque as pessoas também comem ao fim-de-semana”, as famílias são referenciadas por outras associações e muitas delas “são famílias com baixos salários, cujas necessidades básicas não conseguem ser cumpridas”. Há também estudantes universitários que “ficaram por cá e deixaram de ter qualquer apoio”.

Até junho foram servidas mais de 40 mil refeições, a uma média de 60 por dia.

“Há muita gente que não pede ajuda e que passa por enormes dificuldades” reconhece Helena Pina Vaz. A própria distribuição obedece a regras muito próprias. “Ninguém vem buscar a refeição e quem faz a distribuição vem buscar os sacos e não participa na confeção”.

Uma logística difícil de montar, mas que não desanima Helena Pina Vaz, a ‘alma’ destes projetos: “temos o puzzle bem montado e conseguimos que as pessoas se juntem, que queiram ajudar e que se deixem mobilizar”.

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