Projeto Revolution Hope Imagination apostado em reforçar ‘network’ entre cidades

A segunda edição do projeto Revolution Hope Imagination (RHI), do Arte Institute, arranca no dia 18 de setembro, este ano mais focado em intensificar uma relação de ‘network’ entre as cidades participantes, fruto das condicionantes impostas pela pandemia.

Gratuita e aberta ao público, esta iniciativa vai decorrer em 11 localidades de Portugal, e conta com conversas, ‘workshops’, ‘showcases’ e alguns espetáculos, disse a diretora e fundadora do Arte Institute Nova Iorque, Ana Ventura Miranda.

No seguimento da primeira edição, em 2019, o RHI continua com o objetivo da promoção internacional dos artistas portugueses, mas também em todo o território nacional, de intercâmbio de projetos artísticos entre cidades e construção de uma nova metodologia de trabalho entre agentes da cultura, empresas locais e turismo.

Através da rede de ‘networking’ criada na edição anterior, o RHI pretende oferecer “oportunidades únicas de criação de contactos a programadores, curadores e artistas portugueses, bem como novas interações com empresas e agentes turísticos”, sublinhou à Lusa a impulsionadora deste projeto.

Este ano, o destaque vai para o ‘workshop’ de ‘masterclasses’ de ‘marketing’ digital e vídeo ‘low-budget’, com André Tentugal, que dará ferramentas a artistas de todas as áreas na sua promoção e divulgação do seu trabalho no digital.

Com o investimento da Empresa Costeira, na área da dança, Braga, Alcobaça e Torres Vedras recebem a bailarina Virginia Lensi, vinda do American Ballet Theater, naquela que será “uma excelente oportunidade para os alunos destas cidades”, afirmou.

Para além disso, representantes de empresas vão dar exemplos concretos sobre como construir projetos que sejam relevantes para as empresas, com o intuito de desenvolver novas metodologias de trabalho entre profissionais das artes e cultura e empresas, como é o caso da Caixa Geral de Depósitos, que fará uma formação em 5 cidades, ou da Europa Criativa e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) que se vão juntar para dar uma formação sobre fundos de ajuda europeus e fundos de indústrias criativas, acrescentou.

Tendo em vista o panorama atual vivido, o RHI vira-se este ano para a procura de soluções para a classe artística: durante as palestras e conversas, pretende-se reunir artistas de todo o país, discutir os vários desafios da classe e apresentar soluções.

Os representantes de algumas cidades participantes vão dar também o testemunho do que foi feito durante a pandemia, e os membros das organizações artísticas Plataforma Cívica Convergência pela Cultura e Vigília Cultura e Artes vão apresentar o seu ponto de vista, relativamente à defesa dos artistas.

Segundo Ana Miranda, vão também ser apresentados casos de estudo do RHI Stage, isto é, projetos que desenvolveram ferramentas para que os artistas continuassem as suas atividades durante a pandemia, com o objetivo de apresentar propostas, compreender a sua aplicação prática e perceber os resultados.

Tal como na edição anterior, pretende-se prolongar o projeto do RHI para além do último dia do encontro – 24 de setembro -, para que “as novas metodologias se possam instalar”, já que um dos seus principais objetivos é a “mudança de mentalidades”, explicou.

“Mensalmente vamos continuar a ter apresentações de espetáculos e durante o inverno temos programadas conversas ‘online’ e ‘webinars’ com programadores e promotores estrangeiros. A nossa ideia é que cada edição dure um ano de setembro a setembro”, especificou a responsável.

A pandemia e as medidas restritivas daí decorrentes trouxeram algumas alterações aos planos iniciais, pelo que os convidados internacionais das palestras que iam assistir aos ‘showcases’ não vão afinal estar em Portugal presencialmente como previsto.

“No entanto, estão programadas intervenções ‘online’ ao longo do ano sobre vários temas. A presença física do publico em geral na maior parte das cidades também foi cancelada e iremos apresentar os ‘shows’ ‘online’ no RHI Stage”, assegurou Ana Miranda, salvaguardando que os “programadores convidados irão assistir presencialmente aos ‘showcases’ e os ‘workshops’ também serão presenciais”.

Outra alteração teve a ver com o orçamento para promover o evento, que antes da pandemia era “praticamente o dobro do do ano passado”.

Contudo, “com as alterações de programa e o adiamento da vinda dos programadores e curadores estrangeiros, as necessidades do orçamento reduziram”, e foram feitos ajustamentos nos investimentos, provenientes essencialmente de parcerias.

Apesar de a participação ser gratuita e aberta a todos – “porque o objetivo é dar ferramentas aos artistas e ao mesmo tempo criar oportunidades para discutir as questões que afetam o panorama artístico português no momento” – a inscrição prévia é obrigatória.

“Tem de haver uma inscrição prévia para que possamos garantir que as limitações das salas estabelecidas pela Direção-Geral da Saúde são cumpridas, bem como todas as outras normas”, explicou a promotora do evento.

As localidades que estão este ano no projeto são Lisboa, Torres Vedras, Braga, Leiria, Alcobaça, Évora, Vidigueira, Loulé, Faro, Porto e Funchal.

Quanto a artistas participantes, estão previstos nomes como Momma T, Seven Dixie, Raia, Perigo Público, Stone Breaker, Mortais, badweather, Plastic People, Stone Dead, Churk, NBC, Ardis, Modo Vilão, Karyna Gomes, Ricardo Branco e Men On The Couch, entre outros.

Participam ainda o Show de dança contemporânea da Escola Ent’Artes, a Sociedade Artística e Musical Pousense, a Escola de Dança Diogo Carvalho, o Projeto Community, o Instituto de Jovens Músicos, o Orfeão de Leiria (dança e música) e a Escola de Dança Clara Leão.

O Arte Institute foi fundado em 2011, em Nova Iorque, como organização sem fins lucrativos que “dinamiza a produção e difusão de artistas e projetos de arte contemporânea portuguesa, através de eventos que produz em todos os continentes”.

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