Educação Física em tempo COVID – um novo paradigma

Nunca imaginei ao fim de trinta e cinco anos de docência – referindo-me à higiene pessoal pós aulas – dizer aos alunos, o oposto daquilo porque sempre pugnei.
A educação física foi, desde sempre, uma disciplina onde, para além das aprendizagens curriculares, os alunos recebem noções de higiene e compreendem a importância e o prazer de um bom banho após uma aula onde a sudação, normalmente, acontece. Pois este ano, os alunos que já me conhecem de anos transatos, devem ter pensado que a minha sanidade mental já esteve melhor, quando ouviram: “No final da aula quem quiser toma banho, quem não quiser, não toma; quem preferir vir equipado de casa, pode fazê-lo, pelo que, podem fazer as aulas com as sapatilhas que trazem calçadas”.
A entrada nos balneários é feita por grupos – separadamente – por forma a, enquanto se equipam, nunca estarem mais de 5 alunos em simultâneo, com o afastamento devido – os balneários têm 40 cabides. São também instruídos a tirarem a máscara, apenas quando vão para o espaço de aula. Finda a mesma, o regresso aos balneários processa-se também a conta gotas, ficando para o fim os alunos que manifestam interesse em tomar banho, garantindo-se chuveiros individuais e separados, quanto baste. Podem questionar: mas se há condições para o banho se tomar em segurança, porque não o tomam todos? Se há condições para se equiparem, porque não o fazem todos? Se há tapetes de higienização à entrada e saída dos balneários, porque não trocam calçado?
A resposta, parecendo difícil, é simples. Todos sabemos que os alunos nestas idades se acham imortais, inatingíveis, e acreditam que o pior só acontece aos outros, descurando muitas vezes as condições de segurança que todos são incentivados a ter no espaço escolar. Os assistentes operacionais, com salas e balneários para desinfetar de 90 em 90 minutos não chegam para tudo e os alunos que em aula estão sob supervisão dos docentes e nos espaços exteriores sob supervisão dos auxiliares, nos balneários estão sob supervisão… deles próprios. Por tudo isto, o grupo disciplinar entendeu que a responsabilidade sobre a melhor forma de se prepararem para a aula de Educação Física, sem condicionamentos ou temores, deve pertencer a alunos e respetivos encarregados de educação.
Brincando um pouco com a situação, e por forma a encontrar justificação para os que optam por não tomar banho na escola, também lhes disse que o cheiro exalado não será muito prejudicial para os narizes alheios, devido ao uso constante de máscara nas salas de aula e nos recintos escolares. E que, no exterior da escola, o facto de não terem tomado banho até poderá ser benéfico, garantindo o afastamento social exigido (pelo odor) a quem não usa máscara.
Estas foram as condições, por nós consideradas adequadas, por forma a minimizar riscos e, simultaneamente, permitir e incentivar a prática da atividade física e desportiva com os consequentes benefícios na aprendizagem e saúde – nas suas diferentes dimensões – dos nossos alunos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *