Condenado a ser aprendiz até ao fim da vida

Depois de aturados estudos governamentais, percebemos que o vírus é um malandro, gosta de jantar fora, de copos e discotecas até altas horas da noite. Por sair até tarde, sabe-se agora, ao fim de semana dorme a manhã toda, indo para a rua pelas 13h na tentativa de apanhar algum incauto. Mas – ao que consta – tem medo de cães pelo que basta sair acompanhado por um destes animais de estimação para não ter receio porque…vírus que (ouve) ladra(r) não morde.

Percebemos também que o vírus é desportista (apenas) de bancada, não gostando de quem o pratica, pois, a sua ameaça de aparecer nos recintos desportivos é de tal forma levada a sério que o governo impede assistências e proíbe crianças e jovens de praticarem desporto. Muitos, devido à tenra idade, perceberão aqui uma relação causa/efeito sendo levados a deduzir que praticar (ou ver) desporto, faz mal pois podemos ficar infetados. Passada esta pandemia, tememos que sejam ainda menos a fazê-lo e a outra pandemia existente – a obesidade – conte com inúmeras aquisições ficando com equipa de luxo, quiçá a jogar o triplo e, por isso mesmo, difícil de ser batida.

Estes tempos pandémicos com medidas governativas avulsas, fazem-me recordar tempos idos em que determinados cafés, perto das escolas, vendiam tabaco avulso, sem pensar nas consequências para os jovens.

Nas escolas, locais privilegiados de ensino-aprendizagem, não nos é permitido baixar a guarda. Além de agentes da mudança, na promoção de aquisição de conhecimentos nos nossos alunos, temos de ser cada vez mais agentes de saúde pública e mantermo-nos – como diria alguém – firmes e hirtos, na luta. As medidas propostas pela DGS com o famigerado se possível, mantêm-se inalteradas, independentemente do número de casos. Um aluno testa positivo, vai para casa e colocam-se de quarentena os colegas de turma. Os professores não, pois são necessários para continuar a lecionar nas restantes turmas que completam o seu horário. Ou seja, somos imunes até ao dia em que…deixarmos de o ser.

Na educação física em concreto, sinto-me a iniciar a carreira. O que aprendi e fui aperfeiçoando ao longo dos anos, sobre o “como” ensinar determinadas matérias, vale de pouco nestes tempos em que os relacionamentos próximos são desincentivados e nos desportos coletivos não é necessário apreender a componente tática e estratégica para ultrapassar a (inexistente) oposição, por decisão da DGS – uma espécie de VAR que tudo vê e nada permite.

Quando me aproximo inexoravelmente da idade da reforma e pensava que dificilmente alteraria a minha forma de estar e lecionar, sinto-me obrigado a dar razão ao prof. Jorge Bento quando afirma:

– O Professor acaba prematuramente a carreira, sem ter aprendido tudo de que carece para o cabal desempenho da profissão e da existência. Está ‘condenado’ a ser aprendiz até ao fim da vida; jamais esgotará a capacidade e a necessidade de aprender. Não há maneira de fugir a isso.

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