Há 20 anos que ninguém sabe do paradeiro de dois cadernos de Charles Darwin

Dois dos cadernos do naturalista Charles Darwin, um dos quais com o rascunho da “Árvore da Vida” (1837), estão desaparecidos há cerca de 20 anos e terão sido muito provavelmente roubados, anunciou esta terça-feira a Biblioteca da Universidade de Cambridge, instituição onde os arquivos estavam guardados.

Em causa estão o Caderno B e o Caderno C, preenchidos pelo cientista britânico em 1837, depois de ter voltado na viagem no HMS Beagle, detalha a agência AFP.

Num dos livros, o naturalista desenhou um diagrama no qual demonstra várias possibilidades sobre a evolução de uma espécie, tendo, posteriormente, publicado uma ilustração mais desenvolvida no livro “On the Origin of Species” (1859).

O valor destes cadernos, em couro, é difícil de estimar, mas a Biblioteca da Universidade de Cambridge adiantou, em comunicado, que deverão valer milhões de libras.

Face à hipótese de roubo, foi lançada uma investigação e notificada a Interpol.

Na mesma nota de imprensa, a biblioteca conta que listou pela primeira vez os cadernos como desaparecidos em meados de 2001, depois de estes terem sido removidos das Salas Fortes das Coleções Especiais para serem fotografados na biblioteca.

Acreditava-se que estes cadernos tivessem sido incorretamente arquivados no prédio da biblioteca, que contem cerca de 10 milhões de livros, mapas, manuscritos e tem um dos arquivos de Darwin mais importantes do mundo.

Contudo, uma grande investigação levada a cabo este ano, a maior da história da biblioteca, não conseguiu encontrar os livros, tendo os especialistas concluído que estes terão sido muito provavelmente roubados. “Os curadores concluíram que os cadernos … provavelmente foram roubados”, pode ler-se no comunicado.

Biblioteca pede a ajuda de todos
A bibliotecária da Universidade, Jessica Gardner, divulgou, em vídeo, uma declaração, na qual pede a todos que ajudem a encontrar estes cadernos.

“É profundamente lamentável que estes cadernos continuem desaparecidos, apesar das inúmeras buscas em grande escala nos últimos 20 anos”, disse, dando conta que a biblioteca melhorou desde então os seus sistemas de segurança.

Gardner pediu a colaboração de todos: antigos e atuais funcionários da biblioteca, aos que trabalham diretamente no comércio de livros ou a investigadores para encontrar os livros.

“Peço a qualquer pessoa que pensa saber do paradeiro dos cadernos para entrar em contacto connosco. Por favor, ajude-nos”. “Este apelo público poderá ser essencial para que os cadernos regressem em segurança, para benefício de todos. Pediria a todos que pensem que são capazes de nos ajudar para entrarem em contacto connosco”.

ZAP //

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