O romântico que lia Bukowsky

Às vezes sentimos dificuldade em encontrar tema para uma crónica. Na semana passada, em véspera de a enviar para o Diário do Minho, ainda sem tema escolhido, eis que, infelizmente, ele surgiu em todos os noticiários – MARADONA. Voltei à década de 80 e a crónica fluiu naturalmente, porque sentida.
Para o Terras do Homem, devido ao feriado, pediram-me a crónica até domingo. Estava no meu local predileto de leitura e escrita – varanda com vista para o Cávado – quando toca o telemóvel e um colega professor e escritor me pergunta se estou em casa pois tinha a sua última obra para entregar. Agradeci, pensando, só ele, um autêntico inconformado com a normalidade – José Carlos Barros dixit – seria capaz de arriscar a “vida” e a “carteira” atravessando um concelho – em pleno período de confinamento – para cumprir promessa que ia sendo adiada. Recebido o livro, devidamente autografado, às 10h30, regressei ao “meu poiso” e dei inicio à leitura das 144 páginas que o compõem, tendo-o terminado pelas 12h40…a tempo de perceber que tinha encontrado o tema para o meu artigo.
Voltando ao livro, enquanto o “bebia”, via o autor plasmado em inúmeros capítulos o que me levou até a duvidar – excetuando o último – quais seriam os de ficção. O facto de o personagem principal se chamar Carlos não fez com que me revisse nele – embora às vezes, confesso, apetecesse – a não ser em alguns momentos de escrita e na muito breve passagem que também ele fez pel’O CAMINHO de SANTIAGO.
Resumindo, li-o de um fôlego pois percebi também que um professor, (ex)político por opção, escritor, com ligação ao futebol de formação e sempre inconformado com os caminhos que levam as diferentes áreas em que labora, podia dar pano para (o) Mangas escrever. Fui, no entanto, levemente surpreendido com um romance autobiográfico – que em parte esperava – onde as diferentes funções que tem assumido ao longo da sua vida surgem apenas em breves referências, seja a colegas de profissão, a meninas que procuram avaliações utilizando dotes que não os escolásticos, ou a Bukowsky que, ao que consta, e assim termina o livro, terá jogado no Sporting (…).
Caro Zé Ilídio, parabéns pelo testemunho em que espelhas muitos dos teus sentimentos. Em alguns capítulos, acredito, é um verdadeiro livro aberto da tua intensa e vivida vida. Aguardo os próximos onde, romanceando também, possas ajudar políticos, professores, treinadores e/ou simples candidatos a escritores a darem o melhor de si como tu, tão bem, fizeste. Finalizo com uma referência à aba. Dos dois excertos, escolhi o teu por ser – numa fase em que o futebol vê tanta gente partir – uma ode à vida “…Carlos não queria que não sobrasse nada de si para morrer. Queria viver intensamente cada momento, mesmo que a morte o levasse no dia seguinte. Se isso acontecesse, e tivesse vivido com prazer o dia anterior, teria valido a pena. (…)
“O romântico que lia Bukowsky” é o livro de que falo. José Ilídio Torres com quem trabalhei no SC Braga, é o autor.
Juntos, são UM SÓ e, acreditem, valem a pena.

 

Carlos Mangas [Professor de Educação Física]

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