Só precisamos uns dos outros, e… de sonhos

Quando se entra num novo ano – como sucedeu recentemente – todos temos o desejo que o próximo seja melhor que o anterior, independentemente do anterior ter sido bom ou mau. Aqueles que o tiveram bom, querem-no melhor – o ser humano é insaciável – os que o tiveram menos bom, entendem ter direito a algumas alegrias também. Sendo 2020 o que foi, todos nos achamos no direito de pedir que o COVID deixe de abrir telejornais e de ser a palavra mais ouvida no próximo ano. Acreditamos que as vacinas vão dar um grande contributo, mas, enquanto tal não acontece temos de fazer a nossa parte, evitando comportamentos de risco e cumprindo com as ordens emanadas superiormente, embora algumas nos façam duvidar se, quem as ditou, as pensou.
Com o “nosso” ministro a aparentar estar apenas preocupado com o reforço da internet nas escolas, nós, professores e alunos, estamos de regresso ao nosso espaço de eleição e fruição plena, através do ensino presencial que queremos manter. É completamente diferente estarmos todos juntos, ainda que com algum distanciamento, a olharmo-nos nos olhos – mesmo que sobre as máscaras – do que cada um atrás do seu monitor, para que todos possamos perceber, como diz o professor Jorge Bento, que a aula é o ‘lugar do encontro’, apostada em remediar os desencontros que enxameiam a vida e os dias. Vamos continuar a fazer desse espaço um verdadeiro local de aprendizagens. Para isso, é necessário que os alunos se sintam seguros e que um ou outro caso de isolamento profilático, seja isso mesmo, um caso isolado que tentaremos manter ligado à escola e ao processo de ensino/aprendizagem com a ajuda dos colegas de turma.
No entanto, e quem conhece o meu percurso na escola sabe-o, sinto falta dos momentos de ensino-aprendizagem fora da sala de aula e da escola, realizados conjuntamente e não por meios telemáticos. Falta-nos o corta mato, os jogos professores/alunos – ia escrever goleadas, mas contive-me – os saraus, as visitas de estudo, o Caminho de Santiago, o Cicloturismo, os bailes (para mim jantares) de finalistas, os abraços de satisfação, quando algo corre muito bem, ou de consolo quando queremos animar alguém. Em suma, falta-nos sermos HUMANOS na plenitude, partilhando e comungando alegrias, dores e afetos, sem distanciamentos.
Mesmo assim, quero continuar a dizer aos meus alunos que o futuro lhes pertence, que podem e devem transformar as dificuldades em oportunidades e que é mais arriscado não fazer nada e ficar a pensar como poderia ter sido, do que arriscar e aprender, mesmo que seja com um insucesso.
A exposição a situações extremas, como a que o mundo passa na atualidade, ensina-nos a viver a vida de forma mais plena e a (tentar) encontrar sentido para tudo. Esta pandemia ensinou-nos também que a razão assistia a Óscar Wilde, quando afirmou: “Nós não precisamos de muita coisa. Só precisamos uns dos outros, e… de sonhos.”

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