Vila Verde

Os retratos ‘perfeitos’ de Diogo Morais estão a fazer furor no Instagram (com vídeo)

Foi uma coincidência. Diogo estava numa papelaria em Vila Verde a comprar papel para desenhar. Ao abrir a capa que trazia, mostra, sem querer, um retrato. Estava perfeito. A conversa ficou marcada para o dia seguinte.

No centro da vila, o sol ajudou a conhecer um pouco melhor a paixão deste jovem de 20 anos, natural de Vila Verde, que quer transformar o desenho, num rumo de vida.

“Tenho uma paixão pelo desenho. Muitas vezes, foi uma escapatória para mim”, é a frase com que começa a conversa, “fui ganhando habilidade, adaptei-me e abrangi mais os meus desenhos. As pessoas começaram a prestar atenção aos meus trabalhos e a gostar daquilo que eu faço”.

Depois de ter estudado na Secundária até ao 12º ano, Diogo ainda não definiu o rumo que quer seguir: “tenho em mente algumas coisas para o futuro, mas ainda não decidi. Já me disseram que podia ter jeito para tatuagens para as quais é preciso ter habilidade, em fazer bem. Eu não gosto muito de apagar os meus desenhos ou de erros. A tatuagem como é uma coisa permanente pode ser um bom ramo para eu seguir”.

Infância
A primeira memória que Diogo tem situa-se nos cinco anos, “sentado numa secretária de madeira que a minha mãe tinha, com um caderno velhinho A5 com linhas, um lápis e uma borracha. Sempre que precisava de afiar, a minha mãe pegava numa faca de cozinha e afiava o lápis para me continuar a entreter”.

Em tão tenra idade, tudo o que lhe viesse à cabeça era motivo para rabiscar, ainda que as personagens do Dragon Ball tomassem conta da maioria das folhas dos cadernos: “sentia uma paixão por aqueles bonecos e ficava bastante tempo a olhar para uma imagem a ver se tinha o traço ou a linha certa”.

Motivado pelo irmão
O irmão mais velho de Diogo tirou um curso de artes e sempre foi uma inspiração: “comecei a ganhar um bocadinho a paixão porque sempre que acabava qualquer desenho, naquela altura, eu tinha sempre a vontade de lhe ir mostrar porque eu sabia que ele entendia mais do que eu e queria saber o feedback, se era mau e onde podia melhorar”.

Foi crescendo. Os desenhos eram esboçados sempre ao final da tarde quando a mãe lhe entrega uma folha e uma imagem e ele ficava à volta daquilo uma hora ou mais. “Eu não me focava num só desenho, esboçava muito”.

Como era mais novo, não tinha muita paciência de estar ali à volta do desenho até porque tinha amigos que o chamavam para brincar. “Eu tinha amigos que preferiam ficar a jogar playstation, eu preferia pegar numa folha e num lápis e ficava a esboçar coisas ao meu gosto”.

Escola Básica
O professor Vítor é outra das marcas na vida de Diogo. Andava pelo 7º/8º ano, quando o professor descobriu a sua habilidade e incentivou-o a prosseguir. “Na altura, eu olhava para os meus desenhos não achava que fossem de nível e aquele professor puxou-me muito, ensinou-me muita coisa”.

Deu mais foco aos retratos até porque os desenhava nas aulas. “Ele explicava como se podia fazer melhor, o que não devia fazer. Foi aí que comecei a dar mais valor à minha arte, ao meu desenho”.

Inspiração
Olhar para um desenho de Diogo é ficar fascinado. A sua elaboração minuciosa é fruto de muitas horas de trabalho. E para ele é quase terapêutico. “Os retratos mantem-me focado, desligo-me da vida, como desenho à frente de um computador, meto uns phones e fico ali o tempo necessário porque demora algum tempo a fazer”.

A playlist é diversificada “porque gosto de todo o tipo de música mas, na altura de desenhar, tem que ser música que me acalme, não gosto de música mexida para trabalhar”.

Normalmente, escolhe os retratos em função de filmes, desenhos animados, séries, “alguma coisa que me cative até o ser daquela pessoa, fico a pensar no assunto, pesquiso sobre aquela pessoa, escolho uma imagem e depois desenho. Se aquela personagem mexer comigo, ao fim de uma hora já estou a desenhar”.

Um retrato demora cerca de seis horas: “não apago nada, envolve muita coisa, muita paciência, e estar este tempo todo à volta de um desenho é muito tempo, um simples erro obriga a apagar e ao fazê-lo posso apagar uma outra parte obrigando-me a fazer tudo de novo. É um trabalho muito minucioso”.

Vários lápis
O irmão volta a estar presente num outro impulso nesta paixão. “Um dos fatores que contribuiu para me focar ainda mais no desenho foi, quando no Natal, o meu irmão mais velho me ofereceu um estojo com uma grande variedade de lápis e outros materiais para fazer mesmo retratos. A partir daí comecei a dar uso a vários tipos de lápis, até para melhorar a minha habilidade. Esta variedade de lápis permitiu-me fazer detalhes o que contribuiu para aumentar a qualidade, expandir o meu trabalho e melhorar a minha técnica”.

Um retrato pode traços de 15 lápis diferentes “porque há um lápis para cada tipo de técnica. Uso também a caneta que é mais difícil, mas dura mais tempo. Os detalhes que posso fazer com os diferentes lápis, com a caneta não dá, o que me obriga a estar mais concentrado e a usar a caneta de maneiras diferentes”.

Para já, só desenha a preto e branco mas, no futuro, não descarta o uso da cor.

Para além dos retratos
Os amigos e conhecidos que vão dando de caras com o trabalho de Diogo vão desafiando-o fazer outro tipo de desenhos: “já me convidaram para fazer desenhos de carros, também é minucioso porque precisam de muitos detalhes, já fiz paisagens, também”.

Os desenhos conforme vão ficando prontos são partilhados na sua página de Instagram: “tem disso muito bom porque estou a chegar a mais pessoas. Mandam-me mensagens para fazer retratos deles ou das famílias e eu agradeço a confiança”.

A participação em concursos, também, pode ser um caminho em breve: “gostava de saber o que um júri, por exemplo, diz dos meus trabalhos. Para além de saber o meu real valor, posso saber por onde tenho que evoluir”.

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