Projeto de inovação social apresentado em Barcelos

Em dia de aniversário, os Amigos da Montanha lançaram o seu primeiro projeto de inovação social. Artis Naturae foi apresentado na última quarta-feira, 27 de janeiro, numa sessão realizada na página dos Amigos da Montanha na rede social Facebook.

Artis Naturae é um projeto de inovação social que tem como principal objetivo contribuir para o desenvolvimento académico e emocional das crianças institucionalizadas nas três casas de acolhimento do município de Barcelos – Casa dos Sonhos da APAC, Casa do Menino Deus e Casa de Acolhimento Paula Azevedo.

A intervenção é liderada pelos Amigos da Montanha e em parceria com o município de Barcelos, a CPCJ – Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Barcelos e a Universidade do Minho. Em 2020, o Artis Naturae foi um dos 31 projetos premiados pela Fundação BPI La Caixa.

“Uma escola viva da natureza” é o conceito principal que norteia a sua implementação, proporcionando experiências educativas, procurando minorar os riscos de insucesso escolar e promover a educação ambiental.

Para isso, e com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento académico e emocional das crianças institucionalizadas vai atuar nas três casas de acolhimento de Barcelos – Casa dos Sonhos da APAC, Casa do Menino Deus e Casa de Acolhimento Paula Azevedo. Mas o objetivo a longo prazo é trabalhar no sentido de o levar a instituições de outras localidades abrangidas pelas CPCJ.

O Artis Naturae atuará em três áreas de intervenção principais: as Aula Naturae (saídas de campos, onde as crianças vão explorar o espaço natural, munidas de lupas e binóculos), o Club Naturae (atividades científicas e ambientais que serão desenvolvidas dentro das instituições) e, considerado um dos pontos mais importante do projeto, a formação dos quadros técnicos das instituições (para conseguirem implementar as atividades dentro da instituição e para garantir a sua continuidade).

Isso mesmo explicou Joana Soto, bióloga dos Amigos da Montanha, que contextualizou o surgimento deste projeto a partir da participação dos Amigos da Montanha na comissão alargada da CPCJ de Barcelos e da perceção de que se poderia dar um contributo na educação das crianças das casas de acolhimento, destacando a experiência da associação nas metodologias educativas a implementar, adquiridas ao longo dos últimos anos com o projeto BiodiverCidade e o espaço EARTH – Espaço Ambiental do Rio da Terra e do homem (que funciona na Casa da Azenha junto à Ponte Medieval de Barcelos).

Quando questionada acerca do impacto da pandemia atual na intervenção a realizar, Joana Soto afirmou que apesar do Artis Naturae ter sido conceptualizado antes da pandemia “está preparado e blindado para a pandemia, e por esse motivo não deverá alterar muito o calendário do projeto”.

Com ajuda do Prémio BPI La Caixa Infância e de mecenas locais que entretanto os Amigos da Montanha conseguiram foi possível “fazer um kit pedagógico com equipamentos como os binóculos e lupas que ficam para instituição” permitindo desta forma perpetuar a intervenção das casas, destaca a bióloga Joana Soto, responsável pela conceptualização e implementação deste projeto.

A capacitação dos quadros técnicos das instituições, a intervenção contínua (com cerca de 14 atividades ao longo do ano), assim como os beneficiários do Artis Naturae são os aspetos diferenciadores apontados a este projeto. Uma outra mais-valia deste é a possibilidade de vir a ser replicado para outras CPCJ (Comissão de Proteção Crianças e Jovens) ou outras instituições e diferentes contextos.

Ana Feijó, representante da Fundação BPI La Caixa, entidade responsável pelo Prémio Infância BPI La Caixa 2020, referiu que esta fundação apoia várias áreas, como a investigação e a cultura mas o foco está sobretudo na área social onde a infância é uma prioridade e que, por isso, tem uma maior fatia orçamental.

O projeto Artis Naturae “encaixou que nem uma luva” nas prioridades do prémio, tendo passado por um processo rigoroso de seleção, referiu durante a apresentação. Salientou, também, que segundo um estudo publicado pela Comissão Nacional de Educação “crianças que vem de famílias em situação mais desfavorecida são aquelas que terão mais dificuldades na escola”, pelo que projetos como este “temos a certeza que farão toda a diferença na vida destes meninos”.

A Vice-Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Armandina Saleiro, que tem larga experiência no setor social, referiu que “é uma honra saber que existem tantas instituições a dar as mãos e a trabalhar em rede, de forma que o seu trabalho tenha impacto junto da nossa comunidade”.

Sobre o Projeto destacou que “educar através da arte, desporto e ambiente deixa marcas profundas nas nossas crianças” e por esse motivo desde do primeiro momento o Município apoia o projeto Artis Naturae. “Este projeto chegou na hora certa” para diminuir o impacto da pandemia nestas crianças, com as instituições a trabalharem em rede para não deixarem ninguém para trás.

Ana Maria Sobreiro, da CPCJ Barcelos, destacou a importância deste género de projetos nas casas de acolhimento uma vez “que vai ocupar um tempo livre” referindo-se às crianças que estão em regime de internamento completo.

O projeto irá contribuir para o desenvolvimento académico e emocional das crianças que “parecendo que estão a brincar eles estão a aprender e a desenvolver capacidades”.

Ana Almeida, professora da Universidade do Minho, destacou que “é um projeto possível graças a uma dinâmica social que tem sido desenvolvida e que tem aumentado”

Elisabete Rocha, dos Amigos da Montanha, relembrou que desde a sua constituição, em 1999, a Associação sempre esteve ligada à intervenção e preocupação ambiental e, como Instituição de Utilidade Pública, baseia a sua atuação na comunidade numa união de esforços e mais-valias entre as áreas do desporto, do ambiente e da inovação social.

Agradeceu, também, a todos os mecenas que se associaram a este projeto e a todos os patrocinadores que durante o ano de 2020, com todas as dificuldades decorrentes da pandemia, continuaram a apoiar os Amigos da Montanha, o “nos deixa orgulhosos” pois, para “além do apoio financeiro” esta presença em tempos difíceis, significa o “reconhecimento do trabalho que é feito”, realçou.

Agradecendo a todas as entidades presentes, referiu, ainda, que além da apresentação do Artis Naturae, esta sessão permitiu ainda uma importante reflexão sobre esta temática de inovação social.

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