Evidências sugerem que Ricardo III matou “os Príncipes da Torre”

O envolvimento do rei Ricardo III num dos mistérios mais notórios e emocionantes da história inglesa está um passo mais perto de ser confirmado.

Há muito tempo que o rei Ricardo III é considerado responsável pelo assassinato dos seus sobrinhos, o rei Eduardo V e o seu irmão, Ricardo, duque de York – também conhecidos como “os príncipes da torre” – numa disputa pela sucessão ao trono.

Os príncipes de 12 e 9 anos eram os filhos do rei Eduardo IV, que morreu inesperadamente em abril de 1483. O filho mais velho e herdeiro de Eduardo e o irmão mais novo foram levados para a Torre de Londres em maio pelo seu tio, Ricardo, duque de Gloucester, aparentemente para se prepararem para a coroação formal de Eduardo.

Porém, conta o ArsTechnica, a coroação foi adiada até 25 de junho, antes de ser adiada indefinidamente. Em vez disso, o duque de Gloucester assumiu o trono como Rei Ricardo III e fez com que o Parlamento declarasse oficialmente Eduardo e o seu irmão ilegítimos no ano seguinte.

Embora nenhum corpo tenha sido encontrado na época, os historiadores concordam que os príncipes foram provavelmente assassinados no final do verão de 1483.

Dois esqueletos humanos foram encontrados na Torre de Londres em 1674, mas não há evidência conclusiva de que fossem os príncipes, apesar de um exame superficial em 1933, concluindo que os restos mortais eram de crianças com a mesma idade dos príncipes. Mais dois corpos que podem ter sido os príncipes foram encontrados em 1789 na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor.

Cientistas forenses não conseguiram obter permissão real para conduzir análises de ADN e outras análises forenses em qualquer um dos conjuntos de restos mortais para fazer uma identificação adequada.

Este tornou-se um dos mistérios não resolvidos mais duradouros de sempre, alimentado e imortalizado numa famosa peça de William Shakespeare.

Novas evidências apontam para Ricardo III
Os defensores de Ricardo III apontaram a falta de evidências concretas para ligar o rei ao desaparecimento dos príncipes. No entanto, agora, o historiador Tim Thornton, da University of Huddersfield, alega que há evidências claras para substanciar as alegações contra os homens identificados como os assassinos dos meninos e para ligá-los ao seu tio.

Parte dessas evidências vêm da “História do rei Ricardo III”, de Sir Thomas More, o primeiro relato detalhado das mortes dos príncipes. More nomeou dois homens como assassinos: Miles Forest e John Dighton e afirmou que foram recrutados por Sir James Tyrell, um servo de Ricardo III por ordem dele.

Até agora, muitas pessoas questionaram esta história como tendo sido escrita muito depois do evento, como “propaganda Tudor” para denegrir o nome de um rei morto, e até sugeriram que os nomes dos supostos assassinos foram inventados por More.

Contudo, Thornton acredita que More chegou à conclusão certa devido a algum conhecimento interno. Dois dos famosos políticos e colegas cortesãos do filósofo eram filhos de Miles Forest.

“Este tem sido o maior mistério de assassinato da história britânica, porque não podíamos realmente confiar em More como um relato do que aconteceu – até agora”, disse Thornton, em comunicado divulgado pelo ScienceDaily.

“Mostrei que os filhos do suposto principal assassino estavam no tribunal na Inglaterra de Henrique VIII e que viviam e trabalhavam com Sir Thomas More. Ele não estava a escrever sobre pessoas imaginárias. Agora temos bases substanciais para acreditar que os detalhes do relato de More sobre um assassinato são confiáveis“.

O mistério em torno dos príncipes ressoou durante séculos, sendo ressuscitado na década de 1670, quando os ossos de dois meninos foram redescobertos na Torre de Londres, e novamente na década de 1930, quando os restos mortais foram reexaminados.

A descoberta do corpo de Ricardo III sob um estacionamento em Leicester em 2012 também reacendeu o interesse no polémico monarca, com alguns historiadores a questionar se merecia notoriedade.

Este estudo foi publicado no final de dezembro na revista científica History.

Maria Campos, ZAP //

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