O E@D dessincroniza-me

16 de março de 2020 – início do primeiro confinamento e consequente e famigerado ensino à distância (E@D). Alunos e professores, em suas casas, a interagir por computador ou telemóvel conforme as possibilidades de cada um. 8 de fevereiro de 2021 – vira o disco e toca o mesmo.

Num país em que a Educação está entregue a si própria, pois o ministério da dita – assoberbado a publicitar a compra de centenas de milhares de computadores para alunos carenciados – esqueceu-se que em época de confinamento mundial (a exemplo das vacinas) há mais procura do que oferta e…continua a procurar. Nem algo tão básico e simples como definir – explicitando o porquê – percentagem de aulas síncronas e assíncronas nos diferentes níveis de ensino, foi feito, e queríamos nós a parte digital resolvida. Há escolas com 30% de síncronas e 70% de assíncronas, outras com 50% de cada, e outras ainda que “não brincam em serviço”, com 100% de síncronas.

Aos alunos é permitido ligar (ou não) a câmara de acordo com a opção do seu encarregado de educação, inviabilizando deste modo, no que à Educação Física respeita, uma aula prática naquela percentagem que se quer(ia) síncrona. Há também turmas onde as câmaras se ligam, mas aí dessincronizamos com diferença de velocidade da net nas diferentes casas, não se podendo corrigir, sincronamente, o que quer que seja.

Na ESVV, nestas primeiras duas semanas, na nossa disciplina apostamos na manutenção e se possível, melhoria de aptidão física. Eu, a exemplo do ano transato, aconselhei os alunos, de acordo com as condições que tem na sua (zona de) residência, a optarem por diferentes atividades que permitam melhorar resistência, força e flexibilidade. Sugeri exercícios de melhoria de postura corporal, bicicleta, corrida, caminhada, treino tabata, dança, abdominais, flexões, etc. Tudo viável e aceitável. É importante que se compense de alguma forma o tempo excessivo sentado em frente a um computador e que, semanalmente, a atividade física aconteça, no mínimo, duas vezes como em normal tempo letivo. Quem fizer mais, ótimo.

Solicito também, como elementos de controlo/avaliação, o envio de pequenos vídeos das atividades realizadas. Aqui, sinto-me como aqueles treinadores que recebiam cassetes de vídeo de jogadores para aquilatar das suas potencialidades e só viam golos, passes e cortes de excelência. Às vezes, o mesmo golo filmado de diferentes ângulos sugeria um goleador exímio. Os meus alunos podem enviar-me também o que de melhor fazem…esquecendo (muito bem) as cenas falhadas.

Quando do 1º confinamento, terminei um artigo da seguinte forma:

“Para além de confinado sinto que estou a ficar perturbado e esgotado, porque para mim, ensinar, implica relacionamento pessoal, exemplificar, corrigir, incentivar, tudo isto, olhos nos olhos e não…assim”

Não mudei a opinião, mantenho-a. Parafraseando António Silva, o Evaristo do Pátio das Cantigas, acrescento – este E@D dessincroniza-me.

 

Carlos Mangas [Professor de Educação Física]

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