Em Vila Verde PSD aposta em Júlia Fernandes perante oposição em convulsão

Para as eleições autárquicas em Vila Verde, apenas o PSD tem nesta altura o processo mais definido, em contraponto com as convulsões em que vivem atualmente as estruturas partidárias da oposição.

PS e CDS viram os seus líderes demitirem-se e mantêm-se indefinidos quanto às escolhas para encabeçar as respetivas candidaturas. Resta ainda saber que espaço conseguirão novas forças políticas, como o Chega e a Iniciativa Liberal, para além de BE e PCP.

Num concelho onde o PSD conta com a esmagadora maioria das juntas de freguesia – das 33, só uma é liderada por eleitos pelo PS.

A vereadora Júlia Fernandes é a aposta consensual do Partido Social Democrata e já tem trabalho feito nas freguesias. A autarca conta com o apoio unânime da comissão política concelhia. Beneficia ainda da estabilidade do partido no poder e que ainda recentemente viu renovado o mandato eleitoral.

Desta forma está aparentemente assegurada uma transição pacífica com a anunciada saída de António Vilela, que completa os três mandatos de presidente da Câmara e assim atinge o limite máximo permitido pela legislação em vigor.

Ao que foi possível apurar, no PSD resta aguardar pela oportunidade para assumir publicamente a apresentação da candidatura de Júlia Fernandes. Só depois disso se deverá abrir a discussão sobre a composição da lista de vereadores, ficando a dúvida sobre se se manterá a atual equipa (com Manuel Lopes e Patrício Araújo) ou haverá espaço à renovação.

Para além da mulher que necessariamente ocupará o quarto lugar da lista à Câmara – até por força do cumprimento da legislação autárquica – é ainda falada a possibilidade do presidente da comissão Política do PSD e autarca de Moure, José Manuel Lopes, integrar a equipa. Para a Assembleia Municipal, Carlos Arantes poderá vir a manter-se à cabeça da lista social-democrata.

PS perde liderança
A oposição em Vila Verde tem vivido tempos conturbados. No Partido Socialista, Samuel Estrada decidiu demitir-se após quase um ano de presidência da concelhia, assumindo publicamente as divisões internas e a incapacidade para conseguir uma solução agregadora e potencialmente vencedora.

Apesar da demissão, as semanas seguintes também não trouxeram serenidade à concelhia socialista, com a sucessão de várias saídas, incluindo o presidente da Mesa da Comissão Política e igualmente vereador na autarquia, Luís Castro. A ‘onda’ atingiu ainda a Assembleia Municipal, com a renúncia do deputado Carlos Araújo, da Lage.

Neste cenário, José Morais acabou por colocar-se também de fora da corrida autárquica. O seu antecessor como cabeça-de-lista do PS, Luís Filipe Silva, tem igualmente recusado entrar agora nas cogitações autárquicas.

Os nomes do vereador Luís Castro e de Filipe Silva, atual presidente da Junta de Freguesia de Soutelo e impossibilitado de se recandidatar ao cargo por limite de mandatos, surgem como opções mais prováveis para encabeçar a candidatura do PS nas próximas autárquicas, sendo ainda falado o nome de Pedro Feio Gonçalves (filho do histórico Martinho Gonçalves).

CDS sem estrutura
No CDS/PP, os tempos são de indefinição e muita ponderação, depois de Paulo Marques ter decidido colocar um fim abrupto à liderança da concelhia, recusando ainda assumir a candidatura autárquica.

Depois de vários mandatos de liderança controversa e com a representação eleitoral do CDS/PP em queda contínua e progressiva, o ex-líder centrista deixou o partido órfão e à deriva.

Para agravar a situação, o partido foi perdendo algumas figuras de referências, que passaram a estar associadas a outras forças políticas, nomeadamente o PS, de que é exemplo mais flagrante Conceição Alves.

O CDS/PP em Vila Verde – que esteve à frente dos destinos do Município durante mais de 20 anos, pela mão de António Cerqueira – está agora dependente de movimentações de figuras ligadas à história do partido, mas com dificuldades devido à falta de bases de apoio. A situação de crise e queda brutal do partido a nível nacional reforçam a agonia atual.

Cláudia Pereira – que juntamente com Paulo Gomes, ex-autarca da Vila de Prado, compõe o quadro de representação do CDS na Assembleia Municipal – é apontada como potencial solução para liderar a candidatura à Câmara.

CHEGA à espreita
Perante este quadro de instabilidade na oposição vilaverdense – num concelho onde Bloco de Esquerda e a coligação dos comunistas, CDU, são habituais outsiders – saem reforçadas as expectativas sobre as possibilidades do Chega nas próximas eleições autárquicas.

Liderado no concelho por Fernando Feitor, um ex-deputado municipal eleito pelo PS, o Chega pretende aproveitar a ‘onda’ favorável do líder nacional André Ventura nas últimas eleições presidenciais. Para isso, os esforços têm-se concentrado sobretudo em angariar bases de apoio nas freguesias do concelho.

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