Projeto de 12 milhões para academia de topo e três campos de futebol no FC Amares

Olivier Silva vai-se recandidatar à direção do FC Amares. Em cima da mesa, está um projeto, a concluir nos próximos cinco anos, que prevê a construção de uma academia de cinco estrelas e três campos de futebol de nova geração: para além dos dois existentes que serão remodelados, a atual direção vai construir mais um.

Com muitas polémicas à mistura, Olivier Silva abre o livro e lança críticas a três pessoas em concreto: Sérgio Ferreira, José Manuel Faria e Edgar Gonçalves.

Quem é o Olivier Silva? Nasceu em Amares?
Não, não nasci em Amares e se calhar vem daí o problema todo. Nasci em Sarcelles em 1963, sou português. Sempre tive esse problema, quando chego cá sou um francês fraco, lá sou um português fraco. Portanto aqui não sou português, lá não sou francês não sei bem o que sou. Sou um apaixonado de futebol, de música (até mais do que futebol). Amante de fazer as coisas bem mesmo que não saiam bem, tento ao menos porque há quem não tente.

A família é de Amares?
Sim, os meus pais, os meus avós, primos, tios. Na minha casa nunca se falou português, não fui à escola portuguesa e daí ter alguma dificuldade em me expressar em português. Aprendi sozinho a falar porque sempre me senti mais português. Sou português e é assim que me sinto.

Sempre sentiu essa discriminação?
Sim, desde puto que é quando as coisas marcam mais e ficam. Depois em adulto, os portugueses que estavam lá fizeram um grande trabalho e passaram de portugueses fracos para grandes pessoas, gente de respeito, de trabalho, com um poder de integração enorme. No início vivia-se em barracas e era complicado. Por isso, é difícil chegar aqui, a Amares, e levar de ‘avec’ até porque, arrisco a dizer, gostamos mais disto daqueles que vivem cá. Eu com 18 anos tinha coisas que nem se imagina. Aqui só fazem filmes, já perdi tudo e as pessoas falam sem saber o que aconteceu.

Perdeu tudo porquê?
Por ser português. E conto a história que nem o meu pai sabe. Quando eu cheguei ao tribunal porque havia um cliente que me devia um milhão de euros, o juiz estava a explicar-me que o culpado era eu. Eu tinha uma empresa de construção e disse-lhe que tinha tudo empatado enquanto não me pagassem o tal milhão de euros, eu deixei-o falar e o juiz, numa determinada altura disse: ‘como estes portugueses de merda é sempre assim’. Como acabou? Parti-lhe a cabeça a meio. Um amigo meu em França encontrou uma maneira de negociar: ou ia para a cadeia ou ficava sem nada. Eu escolhi, para ficar com os meus filhos, não ir para cadeia.

Tinha quantos anos?
Tinha 39 anos, já tinha casa em Amares, que construí com 23 anos. Hoje, as coisas estão direitas, falo com gente do ‘alto’ porque sou português, trabalho. Fomos os primeiros a vender seres humanos, os primeiros a parar de vendê-los, os primeiros a misturar brancos com pretos, os primeiros a descobrir terras. Em Amares tem 20 mil pessoas do melhor e depois há 20 que não sei o que estão aqui a fazer. Há aqui gente que está a ferrar a mão de quem lhe deu de comer. Andam de porta em porta para não darem patrocínios ao FC Amares.

O presidente é conhecido por algum mau feitio
Não tenho nada mau feito, eu gosto da vida, de pessoas, de quem faz coisas boas. Não gosto é de tolos, não gosto de quem anda a mentir todos os dias para arranjar tachos. Não gosto de acordar com telefonemas a dizerem que o Secundino não veio cortar a relva, e saber que um partido racista existe Portugal e vai existir em Amares. Eu não tenho partido e era um orgulho nosso sermos o país da Europa que não tinha esse tipo de partido, que não vale nada. Já fico bem-disposto em dia de jogo do FC Amares, saber que o Benfica ganhou, dizer às pessoas o que se passa no clube, mas chamar de gatunos a mim, à minha família é de gente fraca.

O que é que o levou a candidatar-se há dois anos?
A época acabou em maio de 2019 e eu cheguei em janeiro desse ano e vim à bola. Vim com o meu tio, comecei a ir ver os treinos e os jogos como adepto. Comecei a gostar, a dar dicas para fazer melhor e o meu tio dizia-me que não se podia falar mal de quem estivesse no clube nem que tenha roubado durante 30 anos e respondia-me vai para lá tu. Pensamos nisso seriamente e como ninguém queria, decidimos avançar. Os tais que estão por aí, hoje, onde é que eles estavam quando o clube não tinha dinheiro para fazer cumprir os seus compromissos? Onde estavam na Assembleia? Em lado nenhum porque o clube estava no buraco e eles contentes em casa a bater palmas.

Esperava encontrar o FC Amares como encontrou?
Não. Fui completamente enganado e o meu tio também. Houve uma pessoa que ficou na direção como número três, com assinatura para mexer dinheiros e esse foi o maior erro. Tudo o que tu ouves e lês, atualmente, vem de uma só pessoa. Primeiro mentiu ao dizer que estava tudo equilibrado e que ainda dava lucro, eu perguntei quanto e ele disse 500 euros. Como até ali era só gente de Amares, vale tudo menos tirar olhos. Faziam Assembleias entre eles, faturas até logo, não tinham contabilista e do contra não havia ninguém. Quando cheguei os jogadores tinham três meses em atraso, a equipa técnica três e alguns quatro meses, não podia sair à rua porque se devia a toda a gente porque eles não pagaram a ninguém. Fizeram uma panelinha à volta deles porque eram todos amigos. Entramos com um buraco de 40 mil euros.
E o Sérgio Ferreira conhecido como ‘Celinho’ e aqui no clube como ‘Faturas’, ainda hoje, anda a pedir faturas de contas do ano passado, fechadas, encerradas e votadas, não sabe o que diz nem sabe o que faz. Vem tudo dessa pessoa, foi super grave o que ele fez e continua a fazer. É fino, fizemos o Sto. António, quase 20 mil euros, andei à procura do envelope do dinheiro, ele já o tinha e estava a pagar tudo o que ele devia, para tapar os olhos a toda a gente. Ele estava a minar e sempre que ouvia a dizer que tínhamos que denunciar o que se estava a passar, ele ouvia, calava-se, começou a criar um complô e a levar pessoas boas com ele. Ele queria pôr tudo em cima aqui do ‘avec’ para que as atenções ficassem todas centradas em mim.

Como está a situação desses 40 mil?
Hoje não devemos nada a ninguém. Podemos andar na rua de cabeça erguida. Não fazemos parte de uma direção que perdeu 5 hectares de terreno, que tem autocarros enterrados no meio do campo, não fazemos parte de uma direção que não pagava a jogadores.

Acha que essas críticas são por ser ‘avec’ ou por estar a resolver os problemas, por ter projetos?
É um bocado dos três. O primeiro, o Celinho, foi para dissimular e esconder a miséria que vinha atrás dizendo mal e funcionou. Depois tens o José Manuel Faria que vem a público só dizer asneiras para quem quer ser presidente da câmara. Está a utilizar o clube para fins políticos misturando o clube com a política nas redes sociais. Escreveu que era um crime termos feito uma moratória, mas não sabem do que estão a falar.
O presidente da câmara de Amares dá-lhes 30 a zero. É dinâmico, rápido a responder, sabe o que está a fazer, foi um homem, um verdadeiro amarense, conseguiu segurar o FC Amares na Pró porque íamos para a 1ª divisão distrital e há um ex-presidente que prefere que o clube descesse de divisão do que ficar no patamar mais alto dos distritais. Há um contrassenso, ele quer o FC Amares no buraco e se vai para presidente da câmara, o FC Amares passa para o triplo do buraco.

Qual é a história por detrás da moratória?
No ano passado, por esta altura, tínhamos feito 30 mil euros de patrocínios. E este ano fizemos dois mil euros, não temos público, não tenho bar, não tenho sorteios. É o primeiro ano que o FC Amares, julgo, não tem publicidade nas camisolas. Se o presidente da Câmara não tivesse feito o que fez tínhamos descido. O que eles não sabem é que a moratória foi feita, nós recebemos 8300 euros da Câmara e não pagamos o crédito enquanto a moratória estiver ativa. Metade da moratória é a câmara que a tem, o presidente disse-nos para usar o dinheiro e fazermos contas no arranque da próxima época.
Houve uma pessoa a cobrar quotas durante anos, não é sócio do FC Amares e ficava com 15%. Andava com a carrinha dos bombeiros a cobrar para as duas entidades. Quando o presidente da Câmara disse para usarmos o dinheiro da moratória e não o chatearmos mais, fala-me dos bombeiros e eu vou ver ao Facebook que andavam a entregar água. Ligo ao tal senhor, e mesmo zangado com ele, peço-lhe para cobrar as muitas quotas em atraso e entregar o dinheiro aos bombeiros. Mas disse-lhe que não ficava com os 15% e até hoje nada!

As polémicas recentes como assembleias gerais, entregas de relatórios de contas deve-se muito à pandemia? Foi o que se passou na recente assembleia geral?
Sim, sem dúvida. É complicado porque queres falar com o contabilista e ele tanto está como não está. Nesta última assembleia fui avisado às 23h00 do dia anterior que não dava para realizar. Como não há muita contabilidade porque não temos jogos, público, o que temos é um pouco do FC Famalicão, a câmara, muito pouco. O tesoureiro como havia pouca coisa, se calhar, foi um pouco tarde entregar as coisas para o gosto do contabilista, ele até podia ter feito aquilo, mas disse logo que não ia à Assembleia. Atualmente no FC Amares, o contabilista vai às Assembleias, isso era antigamente e o presidente da Assembleia disse-me que isso não estava nos estatutos e ia realizar-se na mesma. Eu voltei a dizer que sem contabilista não faço mais nenhuma Assembleia Geral.
Há alguns oportunistas que, no meio da pandemia, estão a tentar rebentar connosco. A cereja em cima do bolo é o presidente da Assembleia Geral de quem temos as provas para lhe cortar o cartão. Este tem um problema na cabeça: a ter advogados, comandante da GNR a ligar-lhe e ele responde a dizer que vai realizar a Assembleia Geral, tenho oito testemunhas, e que pagava a multa, se houver 15 mil euros que pagava, se cada sócio fosse multado em 200 euros que pagava. Isto é de um presidente de uma assembleia ou é de alguém que está apanhado? Faz parte do mesmo complô.
Ele já andou em Assembleias Gerais, mas andava com orelhas em baixo porque havia amarenses que o mandavam calar e ele calava. Ele viu no emigrante a oportunidade para fazer ‘buzz’, viver através dele, malhar até não poder mais. Tem que se cortar o cartão dele porque é um perigo para o clube. Não houve ninguém que chamasse a atenção ao sr. Edgar Gonçalves que isto não é a casa dele. Onde está o sr. José Manuel Faria que em vez de ir para o Facebook devia por este senhor na linha? Estão a dar provas que só querem saber do FC Amares quando está na mó de cima.

Neste cenário, o que o motiva a recandidatar-se?
Primeiro, o presidente da câmara que é um tipo muito à frente. Queria dar continuidade porque tenho investidores comigo, temos o dinheiro e já demos provas que o temos à câmara. Temos um projeto para o futebol para os amarenses terem orgulho e dizerem que são do FC Amares. Vamos ‘enfiar’ 12 milhões de euros num projeto. Gostava de ter gente nova porque isto parece uma ‘máfia’ com sempre os mesmos. Encontramos um clube partido, vejam como está vivo. Passamos de 500 pessoas para sete mil no Facebook, montamos TV. Queremos passar para um patamar superior.

Que projeto é esse?
Um hotel de cinco estrelas só ligado ao desporto. São 7200 m2, fechado. O primeiro andar é todo do FC Amares, da formação, é uma academia e vamos ter protocolos com o PSG, Marselha, vamos trocar jogadores. O andar de cima está preparado para receber esquipas profissionais, com sala de reunião, sala de gamming, quatros individuais de 35 m2, que venham jogar à região. É um projeto que custa 6,7 milhões. Para começar nos próximos dois anos e depois mais 24 meses para a sua concretização. Iremos empregar 49 pessoas que queremos sejam, se possível, todas de Amares. A construção e, estou a pedir orçamentos, serão, se possível, de empresas de Amares.
Vamos três campos, nova geração, custam cada um 600 mil euros. O relvado e o sintético vão ser levantados e vamos construir um novo. Serão os três iguais, as bancadas vão ser remodeladas, o bar será envidraçado e de onde se poderão ver os três campos.

Desporto:
Pratico desporto desde muito pequenino. Duas coisas que fazia melhor: dançar e jogar à bola. E a dançar representei Portugal. Ganhei os concursos todos a dançar hip-hop, danças da rua, inclusive aqui na Lagar’s. No futebol, não sei dizer se dançava ou jogava melhor. Jogava muito. Mas era malandro e tudo o que não consegui como jogador estou a tentar fazer como presidente. Em França, não tenho nenhum clube. Tenho paixão pelo Benfica, mas nunca pensei um dia em gostar de outro clube, é que o meu clube número um hoje é o FC Amares. E se não for reeleito, saio, mas continuarei a ajudar o Amares até ao fim e não irei fazer como muitos que andavam aqui ao tacho. Eram cestos e cestos de dinheiro, armados em craques e onde estão eles hoje? Estão contra o ‘avec’ porque lhes vai passar a perna, vai fazer melhor do que eles e sem dinheiro.

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