Riqueza da obra de Sá de Miranda revisitada em encontro internacional

Realizou-se nos dias 29 e 30 de abril o “Colóquio Internacional Repensar Francisco Sá de Miranda e o Renascimento”, uma iniciativa do Centro de Estudos Mirandinos.

Inteiramente online, devido à atual situação sanitária, o evento, que contou com cerca de 80 participantes, reuniu especialistas sobre Sá de Miranda e sobre o século XVI de várias universidades portuguesas e estrangeiras, entre os quais os professores José Augusto Bernardes (Universidade de Coimbra), Marcia Arruda Franco (Universidade de São Paulo), Vanda Anastácio (Universidade de Lisboa), Orlando Grossegesse (Universidade do Minho), André Corrêa de Sá (Universidade de Santa Barbara, Califórnia), Jorge Vicente Valentim (Universidade de São Carlos), José Camões (Universidade de Lisboa) ou anda Isabel Morán Cabanas (Universidade de Santiago de Compostela).

Durante dois dias, a obra de Sá de Miranda foi, assim, reexaminada sob diversos ângulos interpretativos, o que permitiu destacar a sua forte densidade semântica e a riqueza de caminhos que nela é possível percorrer.

“Francisco de Sá de Miranda é uma das maiores figuras da nossa história literária e este colóquio veio reafirmar isso mesmo. Quando nos propusemos organizar esta iniciativa tínhamos um único objetivo: dar a conhecer a obra do Poeta, revisitando-a criticamente, nas vertentes filosófica e estética e nas suas várias modalidades expressivas, assim como analisar o Renascimento enquanto manifestação de uma nova forma de conceber e ver o mundo”, começou por referir o Vereador da Cultura do Município de Amares, Isidro Araújo.

“Na verdade, todos os oradores honraram, de forma brilhante, este nosso propósito. Assistimos a comunicações fabulosas e muito enriquecedoras do ponto de vista cultural, académico e científico e é com muito orgulho que constato que conseguimos manter online, durante dois dias, cerca de 80 pessoas no objetivo comum de dar voz a este grande vulto das letras”, acrescentou o vereador da Cultura.

Manifestando a sua satisfação com os resultados do colóquio, Isidro Araújo, deixou um agradecimento muito especial à comissão organizadora e a toda a equipa científica, técnica e logística, do evento pela “excelência” do colóquio.

CEM antecipa possibilidade de novo encontro científico

A avaliar pelos participantes do colóquio, os objetivos do encontro foram plenamente atingidos. Tratava-se de chamar a atenção da obra de Sá de Miranda e, mais latamente, da constelação estética, cultural e ideológica do Renascimento. Tanto pela diversidade dos temas abordados como pelos debates e pelas discussões científicas em torno de temas e tópicos apresentados, a organização do evento não tem dúvidas em afirmar que o colóquio foi um momento marcante para os estudos mirandinos.

Levantaram-se várias questões científicas de grande pertinência, apontaram-se novos caminhos de estudo da obra mirandina, problematizaram-se assuntos. Outro objetivo cumprido do evento foi alargar o seu âmbito de incidência aos professores do ensino secundário, a quem cabe a importante tarefa de iniciar as crianças e os jovens à leitura do poeta do Neiva.

Foram várias dezenas a participarem e a interagirem nos momentos de debate e discussão. “Ler, pensar e falar de Sá de Miranda”, como refere Sérgio Guimarães de Sousa, diretor do Centro de Estudos Mirandinos, entidade organizadora do colóquio, “não significa apenas recuar ao século XVI. O poeta é, pois, suficientemente denso e significativo para nos levar a refletir sobre problemáticas ainda hoje atuais, como é o caso, só para mencionar um exemplo, da questão da relação do direito e da justiça com o poder”.

O sucesso desde primeiro colóquio promovido pelo Centro de Estudos Mirandinos deixa antever a possibilidade, segundo Sérgio Sousa, de se realizar no próximo ano um segundo encontro científico.

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