Não há problema em dormir demasiado dizem 85% dos especialistas

O sono tem um enorme impacto na nossa saúde e bem-estar. Pessoas com um estilo de vida muito ocupado têm muitas vezes dificuldade em dormir a quantidade de horas que gostariam, o que afeta o seu humor, capacidade de concentração e pode afetar o corpo de muitas outras formas.

Normalmente somos encorajados a dormir mais, mas será que dormir demasiado também se pode tornar prejudicial para a nossa saúde?

Segundo uma investigação recente da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China, dormir mais de nove horas por noite ou tirar longas sestas pode aumentar o risco de derrame cerebral. No entanto, um novo estudo parece contrariar esta conclusão.

Na Metafact, plataforma utilizada por especialistas para responder a variados tipos de perguntas e verificar factos, 26 especialistas em estudos sobre sono e neurobiologia responderam à questão “é possível dormir demasiado?”. Segundo o ScienceAlert, 85% disseram que não.

Existem inúmeras pesquisas que analisam a relação entre o tempo de sono e os diferentes resultados médicos.

Jo Caldwell, especialista em neuropsicologia da U.S Naval Medical Research Unit, resume as conclusões destes estudos: “O número de horas perfeito para dormir parece ser de sete horas seguidas. Para cada hora abaixo dessa quantidade, há diversas consequências para a saúde, e para cada hora acima das sete horas recomendadas, também existem inúmeras consequências para a saúde.”

Estas consequências incluem doenças que afetam o estilo de vida, como diabetes, doenças cardíacas e obesidade. Dormir demasiado, combinado com a realização de pouca atividade física, também se relaciona com o aumento da mortalidade.

É ainda importante ressaltar que estes dados são “observacionais”, o que significa que foram recolhidos por observação de pessoas com variados tipos de sono e diferentes estados de saúde.

Atualmente, não há dados experimentais, ou seja, obtidos a partir de experiências que relacionem dormir demasiado com a mortalidade. Na realidade, os resultados que existem mostram o contrário.

A neurologista Monika Haack, especialista em pesquisas de sono na Universidade de Harvard, afirma que aumentar as horas de sono habituais tem um efeito benéfico numa série de sistemas biológicos, como por exemplo a diminuição da pressão arterial, da sensibilidade à dor e melhoria da sensibilidade à insulina.

Ligação entre dormir demasiado e problemas de saúde
Os dados observacionais sugerem assim que dormir mais do que as sete horas está ligado a resultados negativos para a saúde.

O psiquiatra Jamie Zeitzer, professor de Medicina do Sono da Universidade de Stanford, afirma que o problema em concluir que “muito sono é prejudicial para nós” é que não se sabe o porquê de as pessoas que dormem muito obterem maus resultados nestes estudos.

“Pode ser que, por dormirem mais tempo do que era suposto, já haja um problema clínico que os leve a dormir mais. Dormir é fantástico para corrigir alguns problemas”, afirma Zeiter.

Muitos dos especialistas concordam que há vários fatores que relacionam uma maior duração das horas de sono com resultados negativos relativamente à saúde, mas não está comprovado quais são esses fatores.

William Killgore, diretor do Laboratório de Neurociência Social, Cognitiva e Afetiva da Universidade do Arizona, afirma que “a explicação mais provável para as associações com um sono prolongado é que estar doente é o que leva ao sono excessivo (…) Mas como não há provas experimentais, não se poderá afirmar nada.”

“A explicação mais provável para um sono prolongado é que o estado de uma doença é que pode levar ao sono excessivo, e provavelmente não é o contrário. Mas como não há provas experimentais, estamos perante um dilema da galinha e do ovo”, afirma Killgore.

Quantas horas de sono são saudáveis?
Segundo James Ware, diretor da Faculdade de Medicina da Eastern Virginia Universitty, uma pessoa saudável não pode ter uma ‘overdose’ de sono. A pessoa vai acabar por ficar deitada na cama muito desconfortável ou apenas desistir e levantar-se.

Cada pessoa necessita de diferentes horas de sono para funcionar de forma normal. A neurologista Vivien Abad, da Universidade de Stanford, sugere que, para os adultos, as horas de sono recomendadas variam entre sete e oito horas.

“O objetivo principal é obter horas de sono suficientes para que a nossa saúde se mantenha num bom estado. A nossa capacidade de nos mantermos alertas e funcionais durante todo o dia, especialmente após refeições, é um bom indicador de que obtivemos a quantidade certa de horas de sono”, diz a investigadora.

É possível usar os nossos padrões de sono para ajudar a detetar mudanças na nossa saúde, explica William Killgore. “Se tiver necessidade de dormir mais do que sete horas para funcionar bem, ou se as suas horas de sono subiram significativamente, pode ser algo que seja necessário mencionar ao seu médico“.

“O aumento significativo de horas de sono pode ser algo que não seja prejudicial, mas pode indicar que poderá ter outro problema de saúde”, acrescenta o neurologista.

Em conclusão, é improvável que dormir demasiado afete a sua saúde de forma negativa. Por outro lado, se tiver necessidade de dormir mais do que as horas recomendadas, pode ser um indicador de que necessita de falar com um médico.

Tifany Santos //

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