Mistério sobre restos mortais de criminosos de guerra do Japão finalmente resolvido

Um investigador japonês encontrou documentos oficiais dos Estados Unidos que detalham como os militares norte-americanos espalharam as cinzas do antigo primeiro-ministro Hideki Tojo e de outros seis criminosos de guerra no Pacífico.

Segundo a agência japonesa Kyodo News, os documentos desclassificados foram descobertos por Hiroaki Takazawa, professor associado na Universidade Nihon, e estavam na posse da agência governamental norte-americana National Archives and Records Administration.

Embora sempre se tenham ouvido especulações de que os restos mortais do antigo primeiro-ministro do Japão, Hideki Tojo, e de outros seis criminosos de guerra tinham sido espalhados no Pacífico ou na Baía de Tóquio, não havia nenhum documento oficial para apoiar essas alegações. Até agora.

Num dos documentos, datado de 4 de janeiro de 1949, o major Luther Frierson escreveu que aquele era “um relato detalhado das atividades relativamente à execução e disposição final dos restos mortais de sete criminosos de guerra executados a 23 de dezembro de 1948”, cita a agência japonesa.

Frierson esteve presente no local da execução, na prisão de Sugamo, em Tóquio, segundo o mesmo documento. Posteriormente, já depois da cremação, os restos mortais foram colocados em urnas separadas e transportados a bordo de um avião.

“Prosseguimos até um ponto de aproximadamente 30 milhas sobre o Oceano Pacífico a leste de Yokohama, onde espalhei pessoalmente os restos cremados numa vasta área”, escreveu Frierson no documento.

De acordo com Yoshinobu Higurashi, professor da Universidade de Teikyo, os militares norte-americanos decidiram espalhar os restos mortais no oceano para evitar uma possível divinização dos criminosos de guerra, tal como sucedeu com os restos mortais de criminosos da Alemanha nazi, que foram espalhados num rio.

Antes destes documentos serem conhecidos, alguns rumores sugeriam que os restos mortais do ex-primeiro-ministro foram sepultados em segredo no Santuário Yasukuni, no centro de Tóquio, no templo de Koa Kannon ou noutros lugares emblemáticos do Japão, recorda o jornal britânico The Telegraph.

Nomeado primeiro-ministro em outubro de 1941, Hideki Tojo acabou por se demitir, em julho de 1944, tendo liderado o Japão durante a maior parte da II Guerra Mundial. Depois de uma tentativa fracassada de suicídio, foi preso e julgado por uma série de crimes de guerra, incluindo o tratamento desumano de prisioneiros.

Segundo o canal russo RT, historiadores estimam que, durante o seu mandato, até cinco milhões de pessoas tenham morrido devido a massacres, fome e trabalhos forçados.

ZAP //

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