Fé…na…calculadora

Recordando recentes Campeonatos Europeus ou Mundiais, temos de regressar a 2000 para encontrar uma fase de grupos sem necessidade de usar máquina de calcular – quando vencemos a Alemanha por 3-0 na 3ª jornada do nosso grupo – depois de termos vencido nas duas primeiras jornadas. Em 2004, no Euro jogado em Portugal, começamos por perder com a Grécia ficando logo a fazer contas. Nesse Euro, aliás, numericamente falando, conseguimos capicua, perdendo também com a Grécia, na final. Daí para cá, muitas contas, com as penúltimas a acontecerem no Euro 2016 em que uma fase de grupos com 3 empates nos levou – repescados – até à final do Éder, ao pé coxinho (empates, prolongamentos, penaltis) parecendo já antever como sairia CR7 do campo, no jogo com a França.

Este ano de 2021 em que se joga o Euro 2020, ao vencermos a Hungria por 3-0, lestos, guardamos as máquinas de calcular, mas, mais lestos ainda, fomos buscá-las depois do descalabro futebolístico com a Alemanha. Esquecemos imediatamente que ainda temos um jogo com a França em que podemos vencer (ou pelo menos não perder) garantindo apuramento direto, sem necessidade de calculadora. Ficamos imediatamente preocupados com os resultados dos outros grupos que já nos permitem perder por dois, desde que a Hungria não vença (n)a Alemanha. E quase rejubilamos quando pensamos que até podemos ser goleados se nos grupos em falta (artigo escrito na tarde de 3ª feira) os 3ºs não atingirem os 3 pontos. Mas, pergunto eu: felizes por podermos ser goleados? A acontecer, vamos fazer o quê aos oitavos de final?

Desde 2004, a nossa seleção foi entregue a homens de muita FÉ nas forças divinas, e pouca fé nos artistas da bola, privilegiando sempre a “família”. Scolari, com a Sra do Cannavagio, e Fernando Santos, com a Sra de Fátima. Ambos a privilegiarem a família futebolística – laços “familiares” entre jogadores – em detrimento de aposta em individualidades que vão surgindo. A relutância que ambos sempre demonstraram em mudar jogadores que à vista de toda a gente estão em sub-rendimento, apresenta-se incompreensível ao comum dos adeptos. Podem os seus defensores alegar que nunca, como com eles, Portugal conseguiu resultados tão positivos. Embora não concordando totalmente, também há quem diga: apesar deles.

Não compreendo o porquê de jogadores formados em Portugal e formatados para o alto rendimento em equipas maioritariamente do TOP do futebol Europeu, habituados a lutar por títulos e a arriscar nos seus clubes, quando ao serviço da seleção, parecerem amarrados e coartados nas suas individualidades.

Para o futuro imediato, com o apuramento quase “garantido”, esperamos de Fernando Santos as mudanças necessárias e prementes para voltarmos a ver jogos da nossa seleção com a qualidade dos efetuados quando do apuramento na Liga das Nações. Independentemente de sermos apurados em 1º, 2º ou 3º, devemos à europa do futebol e à qualidade de muitos dos nossos executantes, um futebol digno de justificar o apuramento, e continuidade em prova, pelo menos, até às meias finais. Força PORTUGAL.

 

Carlos Mangas [Professor de Educação Física]

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