Há 500 anos, um grupo no Gabão tirou os dentes da frente e foi propositado
Crânios encontrados num caverna do Gabão mostram que, há 500 anos, homens e mulheres desta região mudaram dramaticamente a sua aparência, removendo os seus dentes da frente.
Arqueólogos encontraram estes crânios nas profundezas da caverna Iroungou, no Gabão. Segundo o site Live Science, a difícil descida até lá levou-os a milhares de ossos de pelo menos 24 adultos (homens e mulheres com 15 ou mais anos) e quatro crianças, que datam dos séculos XIV e XV.
Também foram descobertas centenas de artefactos perto dos restos mortais – como joias, armas e enxadas feitas de ferro local e cobre importado –, o que sugere que estas pessoas tinham alguma riqueza e estatuto social.
Dos restos mortais, os crânios revelaram ser de particular interesse para os investigadores, uma vez que em todos os maxilares superiores faltavam dentes específicos: os incisivos centrais e laterais, ou seja, quatro dentes.
Todas estas cavidades mostraram sinais de cicatrização após as extrações (algo conhecido como reabsorção alveolar), indicando que os dentes foram removidos quando as pessoas ainda eram vivas.
Em declarações ao mesmo site, Sébastien Villotte, investigador do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS), em França, explicou que a modificação dentária é um costume bem documentado em todo o mundo, “especialmente em África”, e que são “muitas e várias as razões defendidas” para explicar esta prática.
Neste caso, como as extrações foram simétricas e envolveram os mesmos dentes, os cientistas supõem que terão sido feitas “no contexto de alguma prática cultural” desta população.
A extração de tantos dentes da frente teria afetado a pronúncia e mudado o formato da boca e do rosto de uma forma que terá sido “altamente visível”, o que indica que todas estas pessoas pertenciam a um determinado grupo, consideraram ainda os investigadores, cujo estudo foi publicado, a 8 de julho, na revista científica Antiquity.
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