Pela primeira vez, cientistas viram chimpanzés a matar gorilas

Investigadores testemunharam, pela primeira vez, chimpanzés e gorilas a lutar entre si, confrontos esses que provocaram a morte de alguns deles.

De acordo com o site Science Alert, as duas disputas foram observadas no Parque Nacional Loango, no Gabão, em 2019. Em ambas, foram os chimpanzés a instigar os ataques e os que acabaram por sair vencedores (e nas duas vezes um gorila bebé acabou sem vida).

Num novo estudo que documenta estas lutas, publicado esta segunda-feira na revista científica Scientific Reports, uma equipa de cientistas tenta perceber o que pode estar por trás desta situação incomum.

“As nossas observações fornecem a primeira evidência de que a presença de chimpanzés pode ter um impacto letal nos gorilas”, disse Tobias Deschner, primatologista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva e um dos autores da pesquisa.

O primeiro caso, em fevereiro de 2019, envolveu 18 chimpanzés e cinco gorilas (um líder, três fêmeas adultas e um bebé) e durou 52 minutos. Os chimpanzés encontraram os gorilas pelo caminho quando voltavam de uma ida aos territórios vizinhos.

A segunda interação, em dezembro do mesmo ano, envolveu 27 chimpanzés (alguns dos quais envolvidos no primeiro incidente) e sete gorilas (um líder, três fêmeas adultas, um jovem e dois bebés) e durou 79 minutos. Neste caso, os chimpanzés encontraram os gorilas no início de uma patrulha pela fronteira do território.

Nos dois casos, os chimpanzés conseguiram separar os bebés das mães e matá-los, sendo que, no segundo incidente, o bebé foi comido pelos chimpanzés. Os outros gorilas escaparam, enquanto alguns chimpanzés ficaram feridos no primeiro confronto.

Segundo o mesmo site, os investigadores acham que os chimpanzés podem ter visto os gorilas bebés como presas, ou que estavam a competir por comida, ou ainda que as lutas seriam por uma questão de território.

Com isso em mente, é possível que estas lutas possam ser mais comuns do que mostram os registos, mas é importante destacar que os casos que acabaram com vítimas mortais aconteceram durante alturas do ano em que os alimentos eram mais mais escassos.

“Estamos apenas no início no que toca a entender os efeitos da competição nas interações entre as duas espécies em Loango”, disse a bióloga cognitiva Simone Pika, da Universidade de Osnabrück, que também assina o estudo.

ZAP //

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