Feirantes senegaleses queixam-se de “acesso bloqueado” à feira de Barcelos

Feirantes do Senegal queixaram-se hoje de serem proibidos de operar na feira semanal de Barcelos e falaram em discriminação racial, mas a câmara contrapôs que é uma questão de cumprimento do regulamento que impede o subaluguer de espaço.

Em resposta escrita enviada à Lusa, a câmara refere que os serviços municipais se depararam com mais de duas dezenas de feirantes “em condições de subaluguer de lugares a feirantes senegaleses”.

“O subaluguer não está autorizado no regulamento da feira, pelo que os serviços municipais atuaram no cumprimento das normas”, acrescenta.

Hoje, cerca de dezena e meia de feirantes senegaleses foram proibidos de entrar na feira de Barcelos e foram manifestar-se junto à câmara.

“Acabaram por nos deixar entrar na feira, mas só por volta das 11h00”, queixou-se Thierno Mboup.

Em causa estão feirantes que não têm lugar na feira mas que têm ali conseguido operar, subalugando espaço de outros.

“Temos cartão de feirante, temos início da atividade, temos tudo. Só não temos lugar porque andamos desde 2008 a pedi-lo e nunca o conseguimos. Em vários outros locais, alguns feirantes que têm espaço de sobra cedem-nos um bocadinho e conseguimos trabalhar todos. Aqui não nos deixam porquê? Por sermos escuros?”, acrescentou Thierno Mboup.

Na resposta à Lusa, a câmara diz ainda que aquele tipo de subaluguer “tem acontecido em anos anteriores e durante este ano, levando os serviços municipais a intervir várias vezes”.

“Neste período de verão, tem tendência a aumentar, pois é uma altura em que a afluência à Feira Semanal de Barcelos é muito grande”, acrescenta.

O caso foi também denunciado pela Atlas — Cooperativa Cultural, que tem um gabinete de apoio a imigrantes e que considera “inaceitável” que, em tempo de pandemia e de crise económica, a Câmara de Barcelos não encontre uma solução para deixar trabalhar aqueles feirantes.

“Os feirantes senegaleses falaram comigo e consideram que estão a ser vítimas de discriminação racial”, referiu Manuel Solla, daquela cooperativa à Lusa.

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