Assinalam-se no próximo dia 21 de Agosto os 150 anos dessa figura maior de Vilaverdense que foi o Professor Álvaro da Costa Machado Vilela, o mesmo cuja estátua pode ser vista em espaço ajardinado da avenida que traz o seu nome, junto ao Palácio da Justiça e a poucos passos da biblioteca de que é patrono.
Último dos 11 filhos de uma família de agricultores, cursou Direito em Coimbra, onde cedo se distinguiu como aluno excelso, tendo concluído, em 1897, o grau de Doutor, com uma tese intitulada Seguro de vidas: esboço historico, economico e juridico. Logo neste interesse de investigação inicial demonstrava as preocupações de carácter social que o levariam, por exemplo, ainda jovem lente da Universidade de Coimbra, às funções de secretário e, logo depois, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra e, mais tarde, após a seu regresso a Vila Verde, a fundar a Misericórdia deste Município, de que foi o primeiro Provedor.
O seu labor académico incidiria, porém no Direito Internacional, disciplina de que foi o primeiro regente e de que é considerado fundador, concretamente no campo do Direito Internacional Privado, tema da sua obra magna e de muitos dos trabalhos que publicou ao longo da vida. Foi também um dos autores, e o principal relator da Reforma da Universidade de Coimbra de 1911, tarefa para cuja realização viajou por diversos países europeus, estudando as formas de gestão das mais avançadas universidades de França, Alemanha, Suíça ou Inglaterra.
Terão sido estas características, que juntavam as qualidades académicas ao sentido prático da vida e à atenção à modernidade, norteadas por sólidos princípios de justiça, que levaram o governo da República a nomeá-lo juiz dos Tribunais Mistos do Egipto, função que desempenhou, em Mansourah e Alexandria, durante 15 anos, entre 1922 e 1937.
Álvaro Machado Vilela foi uma figura extraordinária de que Vila Verde se orgulha e que, ao longo deste ano, será celebrada com uma edição monográfica do Boletim Cultural, uma exposição e um colóquio de homenagem que trarão à luz alguns dos aspectos menos conhecidos da sua vida. Quanto às obras que publicou, estas estarão em breve à disposição de todos na AquaLibri, a Biblioteca Digital do Cávado, que o honrará com uma colecção própria.
Manuela Barreto Nunes [Bibliotecária]
