Água da EEI está repleta de bactérias e pode pôr em risco a saúde dos astronautas

Um novo estudo destaca a necessidade de salvaguardar água limpa para as missões de voos espaciais. A pesquisa mostrou que há diferentes populações de bactérias isoladas na água potável da Estação Espacial Internacional (EEI) e isso pode representar um risco para a saúde dos astronautas.

Através deste estudo, que foi publicado na revista Nature a 6 de setembro, os cientistas tinham como objetivo perceber de que forma as características microbianas e a integridade do habitat espacial podem mudar durante a longa exposição à microgravidade.

No entanto, esta questão é muito difícil de investigar, pois as adaptações microbianas à microgravidade têm mostrado alterar as características bacterianas dramaticamente.

Contudo, os cientistas determinaram propriedades funcionais vitais de isolados bacterianos transmitidos pela água recolhidos do sistema de água potável da EEI ao longo de vários anos.

“As interações polimicrobianas são complexas e podem não ser estáveis ​​ao longo do tempo. O nosso estudo fornece análises fenotípicas aprofundadas de isolados bacterianos de uma e várias espécies recuperados do sistema de água EEI ao longo dos anos para entender as interações microbianas de longo prazo e a adaptação ao ambiente de microgravidade. Os resultados do nosso estudo podem melhorar as avaliações de risco microbiano de ambientes construídos pelo homem no espaço e na Terra”, referiu Joseon Yang, principal autor do estudo.

Quando se agrupam para formar biofilmes, as bactérias podem contaminar os recursos hídricos e causar uma série de doenças infeciosas em humanos.

Por essas razões, o controlo de bactérias em ecossistemas microbianos complexos e a monitorização da formação de biofilme são desafios vitais.

O sistema de purificação de água da EEI, conhecido como Sistema de Controle Ambiental e Suporte à Vida, é usado para limpar águas residuais numa processo de três etapas e gera água potável a partir de urina reciclada, águas residuais e condensação por meio de destilação, filtrações, oxidação catalítica e tratamento com iodo.

A análise de amostras de água do sistema de purificação de água da EEI mostrou níveis microbianos que excedem as especificações da NASA para água potável. As fontes dessa contaminação são principalmente devido à flora ambiental embutida no próprio sistema de água.

Muitos dos micróbios encontrados eram os mesmos encontrados na água potável da Terra. Isto preocupa os cientistas pois, desta forma, o ambiente espacial pode aumentar as ameaças potenciais que esses organismos representam neste ambiente único.

Os especialistas também descobriram que os isolados bacterianos de base aquosa EEI apresentam uma resistência excelente a vários compostos anti microbianos, incluindo antibióticos, e padrões distintos de formação de biofilme e utilização de carbono.

Segundo o Tech Explorist, a observação das interações de espécies bacterianas neste estudo também revelou padrões distintos de comportamento, o que sugere que os processos adaptativos funcionaram horas extras no ambiente de microgravidade.

As descobertas deste estudo irão ajudar a superar os desafios ​​de garantir água potável segura para missões de voos espaciais, particularmente as que são de longa duração.

Além disso, pode fornecer informações para melhorar a funcionalidade dos sistemas de água projetados na Terra para o benefício industrial e a segurança do público em geral.

ZAP //

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