“Para ‘obras de fachada’ não contem comigo”

Emanuel Magalhães já esteve presente num executivo em permanência. Há quatro anos candidatou-se como independente e para as eleições do próximo dia 26, aceitou o convite do PS para encabeçar a lista à autarquia. O abastecimento de água assume-se como a principal prioridade para o candidato: “temos que trabalhar na afetação de recursos financeiros dos próximos planos e orçamentos para fazer face a investimentos que são necessários na captação, substituição de condutas e interligação entre depósitos”.

Pedindo uma mudança de ‘chip’, Emanuel Magalhães vê Amares como um concelho onde “o fazer tudo à pressa, sem planeamento, o ‘empurrar com a barriga para a frente’, acarreta consequências graves a médio e longo prazos para o concelho”.

Que motivações o levaram a aceitar encabeçar a candidatura do PS à Câmara?
A apresentação e disponibilização de outras condições, da melhor atenção que o nosso concelho deve merecer de quem nos governa. Para mim, nada pedi. Gosto demasiado da minha terra para estar parado.
Por outro lado, o convite do Partido Socialista e das pessoas que me acompanham deram-me a motivação extra para um projeto autárquico em que todos acreditamos muito, com lealdade, realismo e sentido de serviço público.

Que balanço faz dos quatro anos como vereador?
Assumi, desde a primeira hora, uma posição de responsabilidade, sempre na garantia e salvaguarda do melhor interesse público. Infelizmente, nem todas as decisões tomadas foram as mais acertadas nem todas as “lutas” foram bem-sucedidas, com todos os condicionalismos políticos à mistura.
Foi um mandato em que estivemos em minoria, mas isso não nos impediu de constituir uma oposição forte, interventiva, mas acima de tudo uma oposição que teve sempre um sentido construtivo. Encontrar as melhores soluções foi sempre o princípio que me norteou no executivo, ora criticando, ora apontando soluções.

Como será aproveitada essa experiência para a candidatura que encabeça?
Com humildade, digo que tenho experiência capaz para dar respostas. Mas tenho consciência de que muitas delas estão certamente muito dependentes da atual situação económica e financeira da autarquia. Só para ter uma ideia, o Município de Amares terá que assumir, no ano de 2025, responsabilidades financeiras com os bancos na ordem de um milhão e quinhentos mil euros, com compromissos entretanto assumidos. É um trabalho que tem de ser feito, muito sério, com muita responsabilidade.
Não nego que estes quatro anos nos deram uma noção muito mais clara do estado de coisas, não só no concelho – que eu já conhecia muito bem – mas principalmente dos serviços municipais, das contas públicas e de toda a estrutura municipal.
Naturalmente, não estou sozinho neste processo. Há todo um conjunto de pessoas, experiências e competências que devem ser potenciadas.

Que principais ideias vai defender durante a campanha?
Há investimentos absolutamente necessários e que não poderão ser adiados por muito tempo. Relativamente ao abastecimento de água, por exemplo, temos que trabalhar na afetação de recursos financeiros dos próximos planos e orçamentos para fazer face a investimentos que são necessários na captação, substituição de condutas e interligação entre depósitos. É necessário, naturalmente, dar continuidade ao investimento na rede de saneamento porque há muitas coisas ainda pendentes das intervenções feitas mais recentemente. Teremos que olhar, também, para o problema da recolha de resíduos.
Não consigo resolver todos os problemas num ano, ou dois, mas é absolutamente urgente, desde já, fazer-se um trabalho muito rigoroso para projetarmos investimentos faseados.
Os amarenses têm que sentir que os serviços funcionam, que na Câmara encontram respostas aos seus problemas, que as orientações do orçamento vão para as necessidades e qualidade de vida das pessoas, potenciando o desenvolvimento do concelho. Para “obras de fachada” não contem comigo.

Especificamente, que ideias tem para a fixação de pessoas ou atração de empresas?
No enquadramento legal devido, uma gestão autárquica capaz deve funcionar como orientador e facilitadora para a fixação e investimento. Disponibilidade total para acompanhar os processos é urgente. Por outro lado, temos vindo a perder alguma atratividade. Esta atratividade passará, seguramente, por melhores serviços básicos, equipamentos e capacidade de respostas mais rápidas no apoio e resolução de processos, por exemplo.
Terá que haver um plano estratégico de médio prazo para podermos competir com os concelhos vizinhos. Os benefícios fiscais e a disponibilização de recursos pode ser uma forma de começar esse caminho. Outra preocupação vai para as acessibilidades, sabendo-se que Amares terá que lutar por muito melhores acessos às vias estruturantes, assim como para os fenómenos de desertificação, onde temos um longo trabalho a fazer para garantir condições de fixação dos nossos jovens, principalmente nas freguesias onde estamos a perder população.

Como vai ser a campanha, tendo em conta a atual situação do país?
Vamos ao encontro das pessoas, às suas freguesias, seguindo as orientações das autoridades. Não haverá espaço, certamente, para as festas e arraiais de outros tempos.

Como vê, atualmente, o concelho de Amares?
Temos que mudar o “chip” neste concelho. O fazer tudo à pressa, sem planeamento, o “empurrar com a barriga para a frente”, entre outra formas de atuar, acarreta consequências graves a médio e longo prazos para o concelho.

Houve dificuldades na elaboração de listas para as freguesias já que o PS apresenta listas em quatro ou cinco?
São cinco listas PS, com alguns entendimentos independentes. As listas às freguesias foram constituídas de forma estratégica, com decisões tomadas caso a caso.

O que pode o povo de Amares esperar do Emanuel Magalhães?
A disponibilidade e proximidade de sempre, aliadas, naturalmente, à experiência que adquiri. Os amarenses desejam uma gestão responsável. Por isso, estou aqui. As prioridades serão

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