Acidentes nas cascatas e lagoas diminuíram este ano no Parque Nacional da Peneda-Gerês

O número de acidentes diminuiu muito este ano no Parque Nacional da Peneda-Gerês, em relação ao ano passado e aos anteriores, registando a GNR em 2021 seis resgates e nove vítimas. Em 2020 houve 19 ocorrências, com 24 feridos.

Segundo o porta-voz da GNR, tenente-coronel João Fonseca, referiu ao ‘Terras do Homem’ a propósito da sinistralidade do único parque nacional português, verificou-se uma tendência inversa em relação às buscas de turistas perdidos, tendo, este ano, (até ao dia 14 de setembro) sido executadas 13 buscas com um total de 32 caminhantes desorientados, enquanto no ano de 2020 a GNR interveio em apenas quatro situações idênticas, com dez perdidos.

“Acresce informar que o Posto de Busca de Resgate em Montanha do Parque Nacional Peneda-Gerês (PTBRM/PNPG) veio instalar-se no concelho de Terras de Bouro, uma vez que esta é a região que claramente apresenta um maior número de ocorrências neste âmbito, pelo elevado fluxo turístico existente sendo o PNPG, possuidor de caraterísticas únicas do ponto de vista da sua fauna e flora e área de uma grande afluência de turistas e praticantes de desporto em montanha”, segundo aquele mesmo oficial superior da GNR.

“Com a entrada em funcionamento do PTBRM/PNPG, a Guarda aumentou a capacidade e prontidão de resposta nas vertentes da busca e resgate em montanha e de proteção e socorro em geral e na vertente de polícia administrativa e judicial em ambiente de montanha, sendo que os recursos empenhados encontram-se afetos em exclusividade à missão atribuída, contudo, sendo polivalentes, constituem ainda uma mais-valia no apoio a outras missões da Guarda Nacional Republicana”, disse o tenente-coronel João Fonseca.

“As ações de patrulhamento de prevenção no âmbito da proteção e socorro, deverão ser dirigidas para as áreas do PNPG de maior concentração turística associada à realização de atividades desportivas e de lazer em montanha, assim como de maior risco de acidente associado a este tipo de atividades”, mas “adicionalmente, estas ações de patrulhamento são compatíveis e como tal, constituem-se um complemento à capacidade da Guarda no âmbito da vigilância e prevenção de incêndios rurais em toda a área montanhosa florestal e rural, bem como na prevenção relacionada com a natureza e o ambiente no PNPG”, diz.

Integram o efetivo do PTBRM PNPG 16 militares, com formação e treino específico, os quais atuam nos domínios de busca e salvamento em montanha (escarpas, canyon, neve e gelo, grutas e águas rápidas, resgate de acidentados em atividades em montanha, resgate em Parques Eólicos, Rede Nacional de Postos de Vigia (RNPV) e torres SIRESP e SIVIC, recuperação de cadáveres, segurança e policiamento a eventos desportivos, fiscalização das atividades em montanha e entidades organizadoras de eventos em montanha e não só.

“Importa referir que, o PTBRM PNPG concorre para as atividades realizadas pela Guarda no âmbito da sua Missão, nomeadamente a segurança e proteção do cidadão, executadas num ambiente com especificidades próprias como sucede com o ambiente de montanha, situações que naturalmente requerem pessoal com aptidões e treino específico, bem como equipamentos diferenciados”, ainda de acordo com as declarações do porta-voz da GNR.

Posto de Montanha da GNR é mais valia
“Constituindo-se em simultâneo como um elo da cadeia entre os sistemas de socorro que atuam diretamente e em conjunto com os demais Agentes de Proteção Civil (APC), sendo uma mais valia estar sediado em pleno PNPG, o que permite assim a interação diária do seu efetivo com elementos dos agentes de proteção civil possibilitando-se criação de laços interinstitucionais, com a mais valia das competências de um órgão de polícia criminal”, salienta o tenente-coronel João Fonseca, neste enquadramento feito ao Terras do Homem.

Mortes nos anos anteriores
Segundo números oficiais recolhidos, entretanto, pelo ‘Terras do Homem’, nos últimos dez anos tem sido registado uma média superior a uma morte por ano, com doze mortos desde o ano de 2012, quase todos no concelho de Terras de Bouro.

Os últimos anos têm sido marcados por muitos acidentes, alguns dos quais graves. Quanto às mortes, houve em média mais de uma por ano: entre 2012 e 2016, em 2018 registaram três vítimas mortais, em 2019 uma morte, em 2020 três mortes e só em 2017 não houve casos mortais, números que totalizam os 12 falecimentos desde 2012, em cascatas, lagoas e rios.

À exceção de uma morte, ocorrida em 2019, nas Sete Lagoas, em Montalegre, os restantes onze casos mortais verificaram-se todos em Terras de Bouro, nas freguesias de Rio Caldo, de Vilar da Veiga e do Campo do Gerês, quer na Albufeira da Caniçada, entre os Rios Cávado e do Gerês, quer ainda nas Cascatas do Tahiti, do Arado e da Portela do Homem.

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