No século XVIII, o gin estava a arruinar a Inglaterra

A bebida alcoólica tornou-se tão popular no Reino Unido que os empresários começaram a utilizar todo o tipo de aditivos para enriquecerem.

No século XVIII, o gin tornou-se a maior droga que o homem poderia consumir – pelo menos, em Inglaterra – e ameaçava despedaçar a sociedade britânica.

Em 1751, começaram a ser difundidos cartazes com uma poderosa ilustração, criada pelo pintor satírico William Hogarth. Segundo o ABC, o cartaz retrata uma mulher com a cabeça inclinada para trás, completamente bêbada e vestida com trapos esfarrapados.

A parte mais chocante da imagem é o bebé, que escorrega dos braços da mulher, prestes a cair das escadas. O estado alcoólico não lhe permite estar ciente da situação.

O cartaz destinava-se a retratar as graves consequências da bebida alcoólica e foi difundido como forma de apoio à “Lei do Gin”, que se destinava a proibir o seu fabrico, venda e consumo.

Mas o gin nem sempre foi encarado como o inimigo da sociedade: Franciscus Sylvius, professor na Faculdade de Medicina da cidade de Leyden, nos Países Baixos, destilou bagas de zimbro com álcool puro para produzir um medicamento.

O objetivo era explorar as propriedades benéficas daquele fruto para os rins.

Os ingleses aperfeiçoaram o gin e popularizaram-no até se tornar um problema. O culpado foi o rei holandês Guilherme de Orange que, quando subiu ao trono britânico em 1698 como Guilherme III, levou a fórmula da bebida com ele.

O consumo descontrolou-se entre os soldados ingleses regressados dos Países Baixos, que em vez de o usarem como medicamento, o bebiam em grandes quantidades.

Neste desnorteio, os empresários viram uma oportunidade e não hesitaram em acrescentar aditivos à bebida para reduzir o custo, tornar o sabor aceitável e enriquecerem-se a si próprios. Lesley Solmonson, autora do livro Gin: A Global History, contou ao ABC que “utilizaram ácido sulfúrico, óleo de terebintina e cal”.

“Era como se a morte estivesse num copo“, descreveu.

As consequências não tardaram a aparecer, quer para a saúde dos britânicos, quer para a própria sociedade. A “Lei Gin” também não foi eficaz: na altura, aumentaram as destilarias clandestinas, o preço da bebida alcoólica subiu e a qualidade continuou a deteriorar-se, causando estragos físicos e psicológicos entre a população.

A proibição acabou por ser levantada pelo Governo, que criou novas regras para regular a produção, venda, consumo e tributação da bebida.

Tudo mudou no início do século XIX, quando James Burrough produziu o famoso Beefeater, um dos gins mais vendidos no mundo até hoje.

A ele se deve a fórmula de Gin-Dry, cujo ingrediente essencial – a água de Londres – inspirou o nome London-Dry gin. A fórmula secreta tem sido mantida desde então na Torre de Londres, guardada pelos famosos Beefeaters, guardas cujo vestuário do estilo medieval delicia os turistas.

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