Islândia é primeiro país europeu onde mulheres formam maioria parlamentar

As mulheres formarão a maioria no novo parlamento da Islândia, o primeiro na Europa, segundo os resultados finais das eleições parlamentares hoje divulgados que deram a vitória aos conservadores.

O grande vencedor é o Partido do Progresso (centro-direita), que conquistou 13 cadeiras, mais cinco que nas anteriores eleições de 2017, com 17,3% dos votos, mas o Partido Conservador do ex-primeiro-ministro Bjarni Benediktsson continua a ser o principal partido da Islândia com 24,4% dos votos, mantendo assim seu contingente de 16 cadeiras, quando as sondagens previam um declínio.

Das 63 cadeiras do Althingi, o parlamento islandês, 33 assentos serão ocupados por mulheres, ou seja 52,3%, segundo projeções baseadas no resultado final da votação realizada no último sábado.

De acordo com dados compilados pelo Banco Mundial, nenhum país da Europa jamais ultrapassou a marca simbólica dos 50%, com a Suécia até agora em primeiro lugar, com 47% de mulheres parlamentares.

“Tenho 85 anos, esperei toda a minha vida que as mulheres fossem maioria (…) e estou muito feliz”, disse Erdna, moradora na capital, à AFP.

Embora vários partidos reservem uma proporção mínima de mulheres entre seus candidatos, nenhuma lei impõe uma quota de mulheres para as eleições legislativas na República.

A Islândia, noticia a AFP, está consistentemente na vanguarda do feminismo e lidera a tabela do Fórum Económico Mundial para igualdade de género há 12 anos consecutivos.

“Estou muito satisfeita com o facto de as mulheres terem ultrapassado 50% das cadeiras. Acho que esse é o curso normal do que aconteceu na Islândia por um século”, disse Thora Kolbeinnsdottir, livreira e assistente social.

Atrás dessa primeira mulher histórica, a principal vítima dessas eleições é paradoxalmente uma mulher: a primeira-ministra, Katrin Jakobsdottir, cujo partido ambientalista de esquerda perdeu três cadeiras e obteve 12,6% dos votos atrás dos seus dois atuais aliados.

Com um total de 37 cadeiras, os três partidos aliados consolidam assim a sua maioria, mas a direita encontra-se numa posição de força com a opção de encontrar outro parceiro ideologicamente mais próximo, por exemplo os partidos de centro da Reforma (cinco cadeiras) ou o Centro (três deputados) ou mesmo o Partido do Povo (seis cadeiras).

Embora não seja certo que os três partidos possam juntos e que as negociações são tradicionalmente longas, a Islândia afasta-se de um cenário de bloqueio político que as urnas temiam.

Nunca, desde a falência espetacular dos bancos islandeses em 2008 e a grave crise que se seguiu, um governo islandês cessante manteve a maioria. Seria preciso voltar a 2003 para encontrar um precedente.

As discussões devem ocorrer entre os três líderes partidários, e a questão do futuro inquilino de Stjornarradid, a modesta casa branca onde estão os chefes de governo islandeses, necessariamente surgirá, de acordo com analistas.

Esta é apenas a segunda vez desde a crise financeira de 2008, que arruinou bancos e muitos islandeses, que um Governo concluiu p seu mandato, com cinco eleições registadas entre 2007 e 2017.

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