O navio hidro-oceanográfico “D. Carlos I”, da Marinha Portuguesa, regressou à Base Naval de Lisboa, após três meses de participação na Iniciativa Mar Aberto 21.2, onde contribuiu para o conhecimento situacional marítimo, o desenvolvimento científico e a segurança cooperativa na costa ocidental africana, satisfazendo os compromissos assumidos por Portugal com os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nomeadamente, Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe.
A missão incluiu ainda a participação nacional no Projeto-piloto da União Europeia das Presenças Marítimas Coordenadas, no Golfo da Guiné.
Ao longo de 90 dias de missão, com 1647 horas de navegação, correspondendo a mais de 76% de horas no mar, foram cumpridas inúmeras atividades no âmbito da Cooperação do Domínio da Defesa, destacando-se a participação no exercício COSTEIREX-21 da Guarda Costeira de Cabo Verde, a realização de palestras e de exercícios com elementos da Guarda Costeira de Cabo Verde, da Marinha de Angola e com o pelotão de abordagem de São Tomé e Príncipe.
As atividades inerentes à Iniciativa Mar Aberto 21.2 foram, ainda, divulgadas através de apresentações efetuadas em conjunto com o projeto SWAIMS (“Support To West Africa Integrated Maritime Security”), quer em Cabo Verde, quer no Senegal.
Durante a missão, destacam-se, igualmente, as seguintes atividades:
-Desenvolvimento de um programa de observações multidisciplinares no mar de Cabo Verde;
-Lançamento de 16 flutuadores derivantes ao longo de todo o percurso;
-Fundeamento de três boias ondógrafo (Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe);
-Lançamento, no arquipélago de Cabo Verde, de um “wave glider” (veículo autónomo de superfície com propulsão adquirida através da energia das ondas, com capacidade para medir, em tempo real, vários parâmetros oceanográficos e biogeoquímicos), em parceria com Centro para a Pesquisa do Oceano Helmholtz da Alemanha (GEOMAR);
-Levantamento hidrográfico da baía do porto de Luanda;
-Realizadas sondagens hidrográficas ao longo de 5109 milhas náuticas, cobrindo uma área de 82.573 km2;
-Recolhidas amostras de sargaço no Golfo da Guiné;
-Recolhidos filtros de microplásticos;
-Efetuado o transporte logístico e solidário de 11 toneladas de material para os países visitados.
O “D. Carlos I”, comandado pelo Capitão-de-fragata Teotónio Barroqueiro, tem uma guarnição de 39 militares, a qual integra uma equipa de mergulhadores e uma equipa de segurança reforçada, num total de 53 militares.
