Alimentar os abutres para se fixarem no Parque Nacional da Peneda-Gerês é um dos mais recentes trabalhos que estão a ser desenvolvidos no território, em especial no concelho de Terras de Bouro.
A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, já está no terreno, a operar no Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde além de atividades de estudo e de sensibilização, tem agora um trabalho contínuo de reforço no Campo de Alimentação de Aves Necrófagas.
O trabalho insere-se ainda no projeto “ConnectNatura – Reforço da Rede de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas e Criação de Condições de Conectividade entre Áreas da Rede Natura 2000”, tem como principal objetivo a conservação de espécies estritamente e parcialmente necrófagas, porque possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o grifo, o abutre-preto, o britango, o milhafre-real e a águia-real.
Isto porque as deposições regulares de alimento nesta área vedada, de zona de proteção total, logo interdita a visitação, contribuem decisivamente para suprimir as necessidades tróficas das aves necrófagas que visitam o parque nacional e dessa forma incentivam já o seu regresso a esta área de reserva de mundial de biosfera da UNESCO como nidificantes, um projeto em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), organismo do Ministério do Ambiente e da Ação Climática que ali superintende.

Está a ser desenvolvido em territórios que integram a Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP), como é o Parque Nacional da Peneda-Gerês, tendo este trabalho como objetivo principal reverter as tendências populacionais negativas, promovendo o retorno e/ou a fixação dessas aves nestes territórios, os quais constituem áreas já com presença histórica.
Devolução de grifo ao seu habitat
Entretanto, para assinalar o Dia Mundial da Vida Selvagem, a Palombar, em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, como ação de sensibilização e educação ambiental associado à natureza devolveu ao habitat um grifo (Gyps fulvus) após recuperação no Centro de Recuperação de Fauna Selvagem do Gerês.
O grifo é uma das três espécies de abutres que ocorrem em território nacional, nomeadamente no PNPG, e é uma espécie-chave no funcionamento dos ecossistemas de montanha, sendo que por coincidência, em 2022, o tema para celebrar o Dia Mundial da Vida Selvagem é Recuperar espécies-chave para restaurar os ecossistemas, pretendendo alertar para o estado de conservação de algumas das espécies da fauna e flora selvagens mais ameaçadas de extinção, direcionando todos os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, como o Objetivo 15, Proteger a Vida Terrestre.
Projetos “ConnectNatura” e “Sentinelas” já em curso
Entidade sem fins lucrativos, criada em 2000, a Palombar tem como principais objetivos a conservação dos ecossistemas agrícolas e selvagens, tal como ainda a preservação do património edificado e respetivas técnicas tradicionais de construção, atuando orientada por abordagem pedagógica e de cooperação, promove também a investigação científica nas áreas da ecologia, da biologia da conservação e gestão de ecossistemas, a educação ambiental, o desenvolvimento das comunidades e também a dinamização do mundo rural.

A área de intervenção da Palombar é principalmente a região de Trás-os-Montes, contudo, a organização tem vindo a expandir o seu território de atuação no norte do país, estando neste momento a desenvolver diversos projetos no âmbito da conservação da natureza em vários locais, designadamente os projetos ‘ConnectNatura’ e ‘Sentinelas’, segundo referiram ao Terras do Homem dois dos seus responsáveis, os biólogos José Pereira e Pedro Alves, o primeiro dos quais presidente desta associação, sediada na antiga Escola Primária de Uva, em Vimioso.
Entretanto, está já em curso o projeto ‘Sentinelas – Rede de Monitorização de Ameaças para a Fauna Silvestre’ tem como principal objetivo criar uma rede robusta e alargada de monitorização de ameaças para a fauna silvestre relacionadas sobretudo com o furtivismo, com o propósito de combater de forma mais eficaz este grave problema e aumentar o conhecimento nesta área, bem como otimizar a gestão e a conservação da biodiversidade.
Tudo para a criação de uma rede de animais marcados e equipados com dispositivos GPS, nomeadamente grifos, possibilita obter informação sobre o uso ilegal de venenos no norte de Portugal, o qual representa um sério problema para a conservação da biodiversidade e mesmo para a saúde pública e simultaneamente sensibilizar as comunidades locais para esta problemática e para a importância ecológica das aves necrófagas.
O projeto está a ser implementado em sítios da Rede Natura 2000, em Zonas de Proteção Especial, Serra do Gerês, Montesinho/Nogueira, Rio Sabor e Maçãs Douro Internacional e Vale do Águeda.
