“Amigos Imaginários” chegam a Guimarães para especular em torno do mundo cinematográfico e da forma como pode ser construída a ilusão da verdade, convidando o público a assistir à projeção de um filme, em fase de montagem, que é sonorizado ao vivo num estúdio de foley.
Este espetáculo que é um filme-performance realizado e dirigido por Rita Barbosa, é apresentado no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) no dia 22 de abril, sexta-feira, às 15h00, convocando escolas, instituições e público em geral para um momento único de partilha desta criação reveladora e sensorial. “Amigos Imaginários” são também transportados até às escolas pela Educação e Mediação Cultural d’A Oficina através de oficinas de sonorização fílmica a decorrerem a 19 e 20 de abril.
Esta criação é uma especulação sobre o que poderá ser o cinema, tirando partido de um dos artifícios mais utilizados para a construção da ilusão da verdade. O filme propõe desiludir o espetador, impedindo que este se esqueça da irrealidade e dos truques da magia do cinema, ao fazer crer que tudo é verdade.
Assim, um realizador diletante e três performers não-profissionais do foley (técnica de criação de efeitos sonoros gravados em estúdio) fazem do filme uma partitura. Enquanto o gesto dos performers procura de forma literal e obsessiva os ruídos que mexem com as coisas e com os seres do filme, o que se vê é o desmantelar da ilusão, pondo a nu os mecanismos da mentira.
O realizador, aproveita-se deste modo da oportunidade para jogar com as possibilidades, fazendo experiências com narrações, que oscilam entre o mundo contado em pequenas e lúdicas histórias e o mundo comentado em desabafos de um montador inquieto.
A natureza das imagens e dos sons é construída a partir de uma coleção de anotações, entre o diário e o ficcional, num contraponto entre imagem-filme e imagem-performance. Como num espaço neo-cubista, a verdade é aqui libertada de um automatismo percetivo, abrindo caminho ao acaso e evocando fantasmas – os amigos imaginários.
Com realização e direção artística de Rita Barbosa, design de som assumido por Rui Lima e Sérgio Martins (com a participação de Jonathan Saldanha), e desenho de luz de Mário Bessa, esta performance de “Amigos Imaginários” é assumida por Rui Lima, Sérgio Martins e Daniel Pizamiglio ao longo de pouco mais de uma hora de descoberta e fascínio dirigido ao público com mais de 12 anos de idade.
Os bilhetes para conhecer “Amigos Imaginários” têm o valor de 2 euros e podem ser adquiridos online em emc.aoficina.pt, aoficina.pt e ccvf.pt, bem como presencialmente nas bilheteiras físicas do Centro Cultural Vila Flor, Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Casa da Memória e Loja Oficina.
Associadas a este filme-performance “Amigos Imaginários”, surgem igualmente oficinas de sonorização fílmica pelos olhos, ouvidos e mãos de Rita Barbosa e Rui Lima, que a 19 e 20 de abril levam “O Som da Imagem” até várias escolas do concelho de Guimarães, em oficinas a decorrer num ambiente de estúdio de foley, onde os participantes são convidados a explorar a sonorização de uma cena de um filme, surpreendendo-se com a riqueza da paisagem sonora que objetos do quotidiano escondem.
Realizadora e artista visual, licenciada em Artes Digitais no curso de Som e Imagem da UCP (2002), Rita Barbosa nutre ligações com a realização de publicidade e deixa igualmente a sua marca na criação, conceção visual, vídeo e cenografia de vários projetos relacionados com a área do teatro, dança e performance, apresentados em Portugal e noutros países do continente europeu.
