A casa que acolhe a Loja Oficina, situada na Rua da Rainha D.ª Maria II, já foi de Alberto Sampaio, um dos homens fundamentais do século XIX em Guimarães.
Desde 2019, a mesma pode ser visitada para um encontro com o historiador através do núcleo expositivo permanente de objetos e fotografias que nos convocam e transportam para a sua vivência e ligações do próprio com temas e lugares que marcam as suas memórias, entre os quais pontos que integram percursos pela cidade organizados pel’A Oficina em busca dos “Lugares de Alberto Sampaio”. A próxima incursão de descoberta acontece já no dia 17 de julho, às 11h30.
Neste domingo, a proposta é calcorrear o centro da cidade, em busca dos sítios que, há quase dois séculos, foram cenários de acontecimentos da geografia afetiva, social e intelectual de Alberto Sampaio. A participação tem um custo de 2 euros, mediante marcação prévia com, pelo menos, 48 horas de antecedência, através do e-mail loja@aoficina.pt ou do telefone 253 515 250. O ponto de encontro está marcado para as 11h30, na Loja Oficina, casa onde em 15 de novembro de 1841 nasceu Alberto Sampaio.
O percurso inicia-se a dois passos da Loja Oficina, no Largo da Oliveira, onde se ergue a Igreja da Nossa Senhora da Oliveira, classificada como Monumento Nacional. No seu interior podemos observar a pia batismal junto à capela da Torre dos Sinos, onde o pequeno Alberto Sampaio recebeu o batismo. Saímos da igreja para continuarmos a percorrer os espaços da extinta Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, readaptados a um museu de arte sacra no ano de 1928, o Museu de Alberto Sampaio. A envolvência deste lugar com séculos de História, não deixa indiferente quem o visita.
Pela entrada lateral do edifício do Museu de Alberto Sampaio, iniciamos o percurso pedonal do Adarve da Muralha que percorre toda a Avenida Alberto Sampaio, com saída pela porta lateral da Muralha, na Câmara Municipal de Guimarães. Usufruindo de um enquadramento patrimonial e paisagístico verdadeiramente excecional, observamos o desenvolvimento urbanístico da cidade desde a cerca do seu primeiro mosteiro, ladeado pelo casario medieval, confrontando o Paço dos Duques e o Castelo, até à montanha da Penha.
De volta ao centro histórico, impõe-se uma paragem na Casa de Sarmento, onde o jovem Alberto Sampaio entrou, pela primeira vez, pela mão do seu tio Gaspar, amigo de Martins Sarmento. A imagem desse encontro ficaria para sempre gravada na memória do historiador, com quem o sábio arqueólogo viria a construir uma sólida relação de amizade e trabalho.
Seguimos até ao Largo dos Laranjais para admirarmos o monumento a Alberto Sampaio, inaugurado em junho de 1956. No bronze do escultor António de Azevedo, enquadrado por cantaria granítica, permanece perpetuado o tributo das gentes de Guimarães ao homem que tanto trabalhou para engrandecer a terra que lhe deu o berço e que tão bem soube revelar o seu Minho natal.
Encaminhamo-nos, depois, para a Rua de Santa Maria ao encontro do Palacete de Santiago, na Praça de S. Tiago. Se recuássemos aos anos setenta do século XIX, veríamos neste edifício instalado o Banco de Guimarães, onde trabalhou, durante cinco anos, como guarda-livros, Alberto Sampaio. Atualmente, é uma extensão do Museu que leva o seu nome. Percorrendo mais alguns metros até ao Largo da Misericórdia, avistamos a Casa do Terreiro, comprada, em 1815, pela avó materna de Alberto Sampaio. Apesar de hoje ser sede de uma associação cultural e recreativa, a casa conserva ainda a sua traça primitiva, tal como a conheceu o historiador quando visitava os avós, tios e primos.
Ao dobrar da esquina já vislumbramos o Largo do Toural, considerado o “coração” e ex-libris da cidade. São necessários ainda alguns passos mais para chegarmos à Sociedade Martins Sarmento, fundada em finais de 1881 por um grupo de amigos de Martins Sarmento, entre os quais se incluíam os irmãos Sampaio, José e Alberto. Já muito perto do final do percurso, encontramos o Palácio Vila Flor, palco da 1.ª Exposição Industrial de Guimarães, organizada pela Sociedade Martins Sarmento, em 1884, sob a direção técnica de Alberto Sampaio.
O sucesso então alcançado com a exposição, que extravasou largamente o concelho de Guimarães, uniu todos os vimaranenses num enorme aplauso ao seu obreiro principal. Hoje como ontem, ao percorrer os seus lugares, também nós reverenciamos o pensador ilustre e cidadão exemplar para quem: “Fazer pensar é tudo; e a agitação a única alavanca que pode deslocar este mundo: pois que agitar quer dizer – instruir, ensinar, convencer e acordar”.
Estão programadas outras oportunidades para abraçar coletivamente as vivências de Alberto Sampaio em percursos a realizar a 14 de agosto e 11 de setembro.
