A Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda “lamenta profundamente” que o Partido Socialista tenha inviabilizado o pedido do Bloco para que o Ministro da Saúde fosse ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre a possibilidade de encerramento de maternidades e urgências de obstetrícia/ginecologia no Serviço Nacional de Saúde.
Em causa está a maternidade do Hospital de Famalicão, uma estrutura essencial para o distrito que não pode ser posta em causa.
O Bloco de Esquerda solicitou que o Ministro da Saúde fosse ouvido com urgência no Parlamento sobre a possibilidade de encerramento de maternidades e urgências de obstetrícia/ginecologia no Serviço Nacional de Saúde. “Todos os partidos votaram a favor, exceto o PS, que assim inviabiliza a audição de Manuel Pizarro. Em causa está o possível encerramento da maternidade do Hospital de Famalicão”, refere o deputado José Maria Cardoso.
Nas últimas semanas, foi noticiado a possibilidade de encerramento de maternidades e urgências de obstetrícia/ginecologia no Serviço Nacional de Saúde. Esta seria umas das medidas incluídas no relatório elaborado pela Comissão de Acompanhamento, coordenada por Diogo Ayres de Campos, onde estaria previsto o encerramento, por exemplo, da maternidade do Hospital de Famalicão.
Questionado sobre o assunto, Diogo Ayres de Campos não só admitiu esta possibilidade como reconheceu o encerramento de outras maternidades, afirmando que “todo o problema tem a ver com os recursos, se não houvesse dificuldades com os recursos, provavelmente não estávamos a pensar em sugerir, concentrar esses mesmos recursos”.
Recorde-se que, no início de setembro, Diogo Ayres de Campos afirmou que “a curto prazo, não estou a ver outra alternativa senão concentrar recursos para fazer face a esta dificuldade que há em ter as equipas completas”. Segundo este clínico, faltam cerca de 200 especialistas no SNS e seria necessário que as carreiras e as condições de trabalho fossem francamente melhoradas e tornadas mais atrativas.
No requerimento entregue no Parlamento e agora rejeitado pelo P,; o Bloco lembra que “a situação de falta de profissionais na área de obstetrícia e ginecologia não é nova e o Governo nada fez para melhorar a situação simplesmente porque não quis” acrescentando que “a falta de profissionais não se resolve com encerramentos. As carreiras não serão melhoradas com encerramentos. E, mais importante do que tudo, a prestação de cuidados à população não melhora quando se encerram serviços. Muito menos a acessibilidade”.
Para esclarecer esta situação, o Bloco considerava “fundamental” a audição de Manuel Pizarro na Assembleia da República. O PS rejeitou esse esclarecimento.
