Amares

Requalificação do Mosteiro de Bouro avança já para a semana

Vinte anos depois, o Mosteiro de Bouro volta a ser alvo de um processo de requalificação. Com uma empreitada de cerca de 1,5 milhões de euros, a primeira fase de intervenção vai contemplar a reabilitação de todos os telhados e a pintura exterior e, ao mesmo tempo, a criação de um centro interpretativo do Mosteiro.

A cerimónia de assinatura do contrato com a empresa vencedora do concurso público, de Vila Verde, decorreu no interior da igreja e contou com a presença do bispo auxiliar de Braga, D. Delfim Gomes, para além do pároco local, Paulo Neiva, da presidente de Junta, Elisabete Cunha e do presidente da câmara, Manuel Moreira.

Inicialmente, o projeto abrangia, também, o interior, mas a data limite para a obra estar concluída, 30 de junho de 2023, levou a câmara de Amares a dividir o projeto em duas fases, como explicou o autarca. Assim, uma candidatura patrocinada pela CCDRN contemplou a requalificação do Mosteiro com 1 milhão de euros, 200 mil saídos dos cofres municipais, para toda a parte da construção civil.

Os 500 mil restantes sairão, também, da autarquia e irão ser investidos em todo o recheio do centro interpretativo, como mobiliário e parte informática e de multimédia. A segunda fase ficará para um novo aviso de candidatura no âmbito do 20/30. Manuel Moreira referiu, ainda, que deverão ser criados um ou dois postos de trabalho depois desta requalificação.

O autarca espera depois criar um roteiro ligado à parte religiosa, abrangendo os Mosteiros de Rendufe, de Bouro e a Abadia.

Paulo Neiva
O pároco, Paulo Neiva, começou por lembrar “todos aqueles que sonharam, desejaram, e incentivaram esta requalificação e já não estão entre nós”, manifestando a “enorme alegria e entusiasmo” pela realização da obra.

Esperando que o Mosteiro de Bouro “passe a ser não só um elemento ligado ao património cultural e artístico, mas também ao religioso”.

Elisabete Cunha
A presidente da Junta de Freguesia, Elisabete Cunha, estava “muito feliz e realizada” por ver a concretização da obra: “agradeço a todos aqueles que nunca desistiram do projeto”. Uma empreitada que “representa muito para Bouro”, situada “no coração da freguesia, num local de passagem de muita gente. Vamos passar a poder ter a igreja aberta, uma lacuna atual”.

Para a autarca, a obra “é a prova que a nossa terra tem valor” e depois de concluída “podemos contribuir para o desenvolvimento do concelho a nível económico e cultural, bem como atraindo turismo”.

Manuel Moreira
O presidente da câmara referiu as dificuldades que, desde 2016, o projeto atravessou, nomeadamente ter sido aprovado, em 2019, sem dotação. “Foi graças à CCDRN que conseguimos avançar com uma candidatura, mas para isso, tivemos que dividir o projeto inicial em duas fases”.

Com um prazo muito apertado para a sua concretização, junho de 2023, Manuel Moreira dirigiu-se especialmente à empresa construtora: “precisamos que comecem a trabalhar já na segunda feira, que se reúnam com o Sr. padre para elaborar um plano de trabalho”, avisando que “qualquer alteração que não seja por mim autorizada será da vossa responsabilidade”.

D. Delfim Gomes
Representando o Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, o bispo auxiliar agradeceu todo o empenho para requalificar um património que sendo da igreja “é de todo o Mundo”.

“Quando falamos de património falamos de proteção, valorização, conservação e divulgação do Mosteiro, da sacristia e de espaços adjacentes”, referiu, acrescentando: “a palavra património está ligada ao conceito de herança, que nos foi legada e sem custos”.

Especificamente, D. Delfim Gomes, lembrou que o património religioso tem várias funções: “a função afeta ao culto, aquilo que para o culto foi criado; funcionalidade de catequese; meio para o exercício da caridade e da sua função sócio caritativa e espaço privilegiado de memória histórica, faz parte de fonte da fé”.

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