Minho

Consórcio Minho Inovação coloca o território a debater a enogastronomia

Ponte de Lima será palco do primeiro de muitos simpósios sobre enogastronomia que irão realizar-se até ao Congresso Internacional ‘Amar o Minho’, que deverá avançar na segunda metade do ano. Qualificação da restauração e hotelaria, residências gastronómicas com chefs internacionais, especialistas e investigadores do ensino superior são algumas das ações que prometem trazer ao de cima o melhor dos vinhos e gastronomia minhota.

Bruno Caldas, Primeiro Secretário do Secretariado Executivo Intermunicipal da CIM Alto Minho, assume “enorme satisfação” pelos passos que estão a ser “dados” pelas Comunidades Intermunicipais e pelos municípios no desenvolvimento desta área, destacando que “este ciclo de simpósios vai servir de rampa de lançamento” até ao Congresso Internacional ‘Amar o Minho’, que se espera que seja “um momento de grande afirmação da região do Minho na enogastronomia”.

O Palacete Villa Moraes, em Ponte de Lima, vai acolher já nos próximos dias 3 e 4 de Março o primeiro simpósio, que para o município “é a primeira iniciativa concreta para o desenvolvimento do Laboratório de Gastronomia em Ponte de Lima”. Com este evento o desejo é fomentar um espaço privilegiado de debate em torno de ideias e desafios, desde a produção dos recursos endógenos ao aumento dos padrões da qualidade de vida, num momento em que se prepara o anúncio da certificação do ‘Arroz de Sarrabulho’, com o registo comunitário de Especialidade Tradicional Garantida.

O primeiro-secretário da CIM do Alto Minho reconhece “a afirmação” de Ponte de Lima e dos demais municípios do Alto Minho e destaca também o papel das escolas profissionais e do ensino superior do Alto Minho, “uma sub-região onde a gastronomia desempenha um papel assinalável na própria identidade local e na valorização dos recursos locais”, assumindo-se como uma “referência nas suas gentes e no seu território”.

O congresso internacional, previsto para o 3º trimestre de 2023, vai, nesse sentido tornar-se num puzzle, cujas peças vão ser os simpósios que vão decorrer ao longo do ano. Para além da promoção da reflexão sobre as vontades, descobertas e experiências vai também incidir diretamente no território, seja mar, vale, rio ou montanha, com visitas guiadas, atividades educativas e o aumento do conhecimento sobre alimentação e tradições, destacando ainda os produtores como guardiões das paisagens do território.

Esta iniciativa faz parte do projeto PA9. enogastronomia sabores e conhecimento, que teve aprovação do Norte 2020.

Para além do Município de Ponte de Lima e o Consórcio Minho Inovação, este primeiro simpósio conta também com a parceria do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. A investigadora Marta Vilas-Boas, destaca que o evento vai ter como temas principais “a tradição e inovação para o desenvolvimento sustentável do território, alimentação e cultura, e cadeia de valor do turismo gastronómico”, garantindo um painel internacional, com oradores de várias áreas e com trabalho realizado em Itália, Irlanda, Espanha e Portugal.

“Colocar a investigação ao serviço do território, numa capacitação dos agentes à volta do património alimentar, das referências gastronómicas, dos projetos inovadores são objetivos a cumprir” acrescenta ainda a investigadora que faz parte do projeto Nutrir, do IPVC, que está sob a alçada do antigo secretário de Estado da Alimentação, Nuno Vieira de Brito, e que visa os recursos, a viticultura e enologia, a produção animal e o território.

Bruno Caldas destaca que “é esta proximidade entre os agentes que se pretende”, no sentido de “as pessoas e as instituições ao serviço do território”, num “processo de crescimento, qualificação e evolução para a enogastronomia do Minho”.

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