Minho

Ornatos fecham esgotado último dia de Vilar de Mouros

Dia 4

Sábado 26 – O último dia da edição 2023 do festival de Vilar de Mouros acorda solarengo mas fresco, por entre as nuvens baixas e a bruma que paira no rio Coura, aqui já tão perto da sua foz, em pleno estuário do rio Minho. Os festivaleiros, aos poucos, lá vão colocando um pé fora da tenda, uma sapatilha aqui, um chinelo ali, um chapéu acolá… Nitidamente, o desgaste dos três dias anteriores está a fazer sentir-se. E logo hoje, que o cartaz promete e que todas as forças vão ser necessárias para enfrentar este dia final com a energia que ele merece.

De facto, para hoje perfila-se um cartaz que promete. As “hostilidades” abrem com Peaches que, no seu estilo exótico e extremamente peculiar, consegue entreter a plateia de forma satisfatória, ainda com o sol a pôr-se no horizonte. Seguem-se Guano Apes, “velhos conhecidos” do público português. A banda alemã, dona dum rock alternativo sólido e de qualidade, assente nos predicados vocais da sua vocalista, sobe o nível para o degrau acima.

Os rumores confirmam-se, temos oficialmente uma enchente e os 25.000 lugares do recinto estão esgotados. É aqui que se formam as tais filas enormes, e cada uma deriva para o seu lado: para norte atravessa a ponte e vai quase até à praça central; para sul ultrapassa largamente as bilheteiras e perde-se de vista no fim da recta, quando a rua segue em curva para a estrada nacional. Diogo Marques, director do festival, diria na conferência de imprensa que “a questão das filas era inevitável”. No entanto, prometeu que para 2024 as soluções já estão a ser preparadas.

Com lotação esgotada, sobem ao palco James, outra banda bem conhecida no nosso país e especialmente aqui, onde actuaram pela última vez em 2018. Com uma imensa multidão por diante, a banda de Manchester facilmente consegue essa simbiose com o público de que tanto necessita para elevar a sua performance. E claro, não podiam faltar os tais banhos de multidão em que Tim Booth “navega” pelo público suportado apenas pelas mãos dos espectadores; é já um clássico.

Aos Ornatos Violeta cabe a honra de encerrar Vilar de Mouros 2023 e é uma escolha acertada. A banda do Porto é uma das boas representante do rock português e o seu som adequa-se na perfeição àquilo que é o espírito e a matriz musical deste festival.

As pessoas abandonam o recinto pela última vez neste ano e muitos, antes de se recolherem para descansar, ainda gastam “os últimos cartuchos” pelos bares, pelos balcões improvisados, pelas ruas empedrados de séculos de Vilar de Mouros. Cheira a fim de festa e, embora a edição 2024 já esteja garantida com quatro dias também (21, 22, 23 e 24 de Agosto), já bate uma saudadinha daquelas…

Domingo, foi hora de arrumar as tralhas: Tendas, colchões, sacos-cama, travesseiros, fogões, tachos, panelas, talheres, pratos, guardanapos e outros papeis, sapatilhas, chinelos e sandálias, calções, calças e t-shirts, Rennie, Kompensan, paracetamol e Guronsan… enfim, um sem-número de coisas que nenhuma lista pode conter. Ah, e falta o petromax!
Para o ano há mais.

Texto escrito fora do âmbito do acordo ortográfico de 1990.

Daniel Pinto Coelho

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