Culminando um vasto processo de preparação, reuniram-se neste sábado, em Guimarães, os delegados eleitos para a XII Assembleia da Organização Regional de Braga do Partido Comunista Português. Para a sua preparação realizaram-se 19 Assembleias Eletivas e um largo conjunto de reuniões de organismos regionais e concelhios.
Sob o lema “Por um distrito melhor, tomar a iniciativa com um partido mais forte”, os comunistas do Minho procuraram analisar a situação política, social e económica da região, no sentido de melhor preparar a intervenção do PCP na defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo minhoto. Prestar contas ao coletivo partidário da intervenção e trabalho do Partido desde a última AORB, eleger uma nova Direcção Regional e definir as linhas prioritárias para o reforço da organização foram os principais objetivos deste evento.
A Escola Secundária das Caldas das Taipas serviu de palco para cerca de 40 intervenções ao longo do dia. Foram diversas as preocupações apresentadas, desde os baixos salários no sector têxtil, tão preponderante neste distrito, passando pelo preocupante e crescente envelhecimento dos funcionários judiciais, a luta pela Paz, as condições de trabalho nas grandes superfícies comerciais, as dificuldades sentidas pelos estudantes do ensino secundário e superior, os problemas no acolhimento de imigrantes ou os problemas ambientais.
O documento de Resolução Política aprovado foi debatido amplamente nas semanas anteriores, acolheu alterações propostas por diversos militantes e, para além de uma caracterização social e económica do distrito, debruça-se sobre a organização e intervenção do Partido, definindo uma série de prioridades de acção.
Foram aprovadas moções em defesa da Paz, de saudação à Revolução do 25 de Abril e sobre os próximos atos eleitorais apelando ao reforço da CDU.
Belmiro Magalhães, membro da Comissão Política do Comité Central e responsável da Organização Regional, referiu na intervenção de abertura que “a principal questão que se coloca nesta Assembleia é consolidar caminhos com vista ao reforço da organização partidária. Este é o elemento que fará a diferença na nossa capacidade de intervir politicamente para dar resposta a uma situação política que se prevê ficar ainda mais exigente. Temos uma grande responsabilidade. Intervimos num distrito muito grande, um dos maiores do País, com quase 850 mil pessoas”.
Sandra Cardoso, candidata da CDU às eleições para a Assembleia da República, sublinhou: “os deputados da CDU têm sido incansáveis, indispensáveis e insubstituíveis para que na AR se fale das pessoas e dos seus problemas. É necessário eleger deputados deste distrito que sejam sérios, honestos. Que digam e façam em Lisboa aquilo que dizem aqui na região. Estes deputados só existem na lista da CDU que entregamos na passada quinta-feira no Tribunal”.
Na intervenção de encerramento, Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP, afirmou “É urgente pôr fim à promiscuidade entre o poder político e o poder económico e à corrupção que lhe está aliada. O País já percebeu que Luís Montenegro não pode explicar mais nada porque não há explicação possível para o que fez, o que não poderia ter feito e o que devia ter feito e não fez. Quis e quer garantir a todo o custo salvar duas questões: a sua imagem e os privilégios, benefícios e os negócios dos grupos económicos. Uma política geradora de injustiças e desigualdades que empurra mais de 2 milhões de pessoas, incluindo milhares de crianças, para a pobreza e que faz com que a maioria viva com dificuldades crescentes, enquanto um punhado, uma pequeníssima minoria, acumula 32 milhões de euros de lucros por dia – uma ala de cirurgia do Hospital de Braga por dia e ainda sobrava dinheiro suficiente para contratar médicos, enfermeiros e outros profissionais em falta”.
Para Paulo Raimundo, “não basta derrubar o Governo, é mesmo preciso derrotar uma política que, independentemente de quem a realize, não serve e não pode continuar, é negativa pelo que fez e pelo que ambiciona fazer. Assalto à Segurança Social, deixando que os grupos económicos deitem a mão ao dinheiro do trabalho. Desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, ataques às leis laborais, mais exploração, mais precariedade, mais horas, mais tempo de trabalho. Privatizar, privatizar, privatizar, e submeter e sujeitar o País, a vida e os direitos de cada um, em particular dos jovens, à loucura da destruição, do armamento e da guerra”.
A Resolução Política, as diversas moções foram aprovadas por unanimidade, bem como a nova Direção Regional.
