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Falsa psiquiatra inventou clínica em Espanha para burlar família de doente de Braga

Uma mulher fez-se passar por psiquiatra e psicóloga para burlar, pelo menos, cinco doentes, aos quais chegou a retirar a medicação prescrita pelos verdadeiros médicos. Num dos casos, a família de um jovem que sofria surtos psicóticos pagou 44 mil euros, a maior parte para o internar numa clínica espanhola que não existia. Ana Cristina Pereira, de 43 anos, vai começar a ser julgada, no final deste mês, no Tribunal de Braga, pelos crimes de burla e usurpação de funções

A arguida é natural de Foz Coa, mas, refere a acusação, residia em Braga quando, em 2018, começou a apresentar-se como psiquiatra e psicóloga. Às pessoas que ia conhecendo no café, na padaria ou no supermercado, garantia que tinha trabalhado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e que iria assumir um cargo de chefia no departamento de psiquiatria do Hospital de Braga.

Uma das mulheres abordadas pela falsa médica ficou impressionada com o currículo inventado e indicou-a a uma família de um jovem, da Póvoa de Lanhoso, que padecia de surtos psicóticos. Convencida pelas qualidades descritas, a mãe do rapaz deslocou-se a Braga para se encontrar, numa pastelaria, com a burlona e combinou uma consulta a ter lugar na casa de Ana Cristina Pereira.

Nessa consulta, a falsa psiquiatra receitou ao jovem medicação à base de produtos naturais e aconselhou a mãe a retirá-lo da psiquiatria do hospital da cidade, no qual o doente andava a ser acompanhado. Também garantiu que os surtos iam “acalmar”.

Clínica inexistente
Numa outra ocasião, a mulher acusada de burla disse às vítimas que havia em Madrid, Espanha, uma clínica com métodos terapêuticos alternativos, que recorriam ao uso de animais e que incluíam natação, que eram a solução para os problemas do jovem. Informou ainda que o internamento custava 38 mil euros, verba que os pais aceitaram pagar em duas transferências bancárias feitas para a conta da Ana Cristina.

Depois do pagamento feito, as partes combinaram que a mãe e a irmã do jovem iriam a Madrid visitar a clínica e as duas mulheres compraram os bilhetes de avião que as levaria ao país vizinho. No entanto, perto do dia da viagem, a “psiquiatra” conseguiu anular a deslocação com a desculpa de que a clínica espanhola tinha adiado o internamento do rapaz.

Já em janeiro de 2019, mãe e filha foram mesmo a Madrid, mas quando chegaram à morada indicada nada encontraram. Confrontada com a situação, a falsa médica alegou que a clínica tinha mudado de local e, mais uma vez, conseguiu enganar a família.

Mesmo sem internamento em Espanha, o doente continuou a frequentar as consultas da falsa médica que, até março de 2019, cobrou um total de seis mil euros pelas consultas. Durante este período, Ana Cristina Pereira até conseguiu convencer os pais do jovem a retirá-lo do Hospital de Braga, no qual tinha sido internado após mais um surto psicótico grave.

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