‘Carcaça’ é um manifesto físico e emocional onde Marco da Silva Ferreira funde dança urbana e folclore, explorando memórias culturais, identidade coletiva e o corpo como arquivo vivo de pertença, resistência e transformação numa criação coreográfica intensa e arrebatadora.
O Theatro Circo recebe, no próximo dia 16 de maio, às 21h30, o espetáculo ‘Carcaça’, uma criação de Marco da Silva Ferreira, nome incontornável da nova dança contemporânea em Portugal e na Europa. Com um percurso marcado pela experimentação e pelo cruzamento entre culturas e linguagens coreográficas, o coreógrafo propõe nesta obra uma reflexão crítica e poética sobre a memória, o corpo colectivo e a identidade.
Em palco, dez intérpretes e dois músicos exploram a fricção entre tradições populares e linguagens urbanas contemporâneas. O espetáculo, com música ao vivo de João Pais Filipe e Luís Pestana, articula danças sociais, footwork, clubbing e folclore, convocando um corpo colectivo fragmentado, em busca de sentidos comuns.
“O ponto de partida foi a ideia de carcaça como ruína, como esqueleto de um corpo cultural. A dança popular tem muito disso: é ritual, é memória, é repetição, é pertença. E eu queria ver como tudo isso colide com as linguagens de hoje, com as urgências de agora”, explica Marco da Silva Ferreira.
‘Carcaça’ estreou em 2021 e rapidamente se afirmou como um dos espetáculos de dança mais relevantes da cena europeia, tendo sido apresentado em países como França, Bélgica, Alemanha, Suíça, Noruega e Canadá, integrando redes internacionais como a Big Pulse Dance Alliance.
A crítica tem sido unânime no reconhecimento da força coreográfica e política da peça. O jornal francês Libération descreveu “Carcaça” como “um transe colectivo que oscila entre a rave e o ritual arcaico, onde o corpo dança o seu passado e o seu porvir com igual intensidade”. Já a plataforma Danses avec la plume referiu que “Marco da Silva Ferreira inventa uma gramática do corpo onde tradição e futuro se entrelaçam de forma vibrante e inesperada”. Em Portugal, o espetáculo foi considerado pelo jornal Público como “um dos momentos artísticos mais marcantes do ano”, destacando a forma como o coreógrafo “convoca memórias culturais não para as preservar, mas para as reconfigurar à luz da urgência contemporânea”.
“Não me interessa preservar uma dança como se fosse património imutável. Interessa-me a fricção, o que se ganha e o que se perde quando se dança coletivamente no presente. A carcaça é isso: forma antiga onde projetamos futuros possíveis”, acrescenta o criador.
‘Carcaça’ no Theatro Circo será, assim, uma oportunidade rara para o público bracarense experienciar um espetáculo que tem emocionado plateias internacionais, numa celebração do corpo como território político, cultural e sensorial.
Bilhetes disponíveis a 12€ (6€ c/ Cartão Quadrilátero) na bilheteira do Theatro Circo, locais habituais e online em https://theatrocirco.bol.pt/
