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Grupo encabeçado por Joe McPhee arranca digressão com dois concertos em Portugal

Quatro músicos de diferentes gerações e geografias, todos nomes de relevo do free jazz, juntam-se em Monster. Olhando para este quarteto de superestrelas há uma que é impossível não destacar: o eterno saxofonista Joe McPhee. A seu lado, Monster completa-se com um elenco de luxo: Susanna Gartmayer, no clarinete baixo, John Edwards, no contrabaixo, e Mariá Portugal, na bateria. Com o primeiro disco acabado de sair, o quarteto parte agora numa curta turnê europeia que arranca este domingo, 25 de maio no gnration, em Braga, e passa no dia seguinte na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa.

Depois desta primeira apresentação – e até agora única – no festival Music Unlimited 2023, na cidade de Wels (Áustria), Joe, Susanna, John e Mariá reuniram-se em estúdio para eternizar a união. O disco homónimo do quarteto foi editado a 24 de abril deste ano, com selo da Klanggalerie, e serve agora de mote para uma série de oito concertos: dois em Portugal, três na Áustria e outros três no Reino Unido.

Aos 85 anos, Joe McPhee é uma figura basilar da história do jazz e da música improvisada. Multi-instrumentista, compositor e poeta, cresceu em Nova Iorque e começou por tocar trompete ainda criança. Aos trinta anos, inspirado por Ornette Coleman, John Coltrane e Albert Ayler, acabou por abraçar também o saxofone e tornou-se num dos pioneiros do experimentalismo no jazz. A sua primeira gravação foi com Clifford Thornton, em 1967, no álbum Freedom and Unity. Desde então, tem sido aclamado como um do gigantes do jazz e
elogiado pela habilidade que coloca a expressão individual e a emoção na dianteira da música. Trabalha regularmente com nomes como Peter Brötzmann, Evan Parker, Dominic Duval, Ken Vandermark, Mats Gustafsson, Jay Rosen ou Jeb Bishop. No final do ano passado, decidiu recolher as histórias dos seus sessenta anos de vida artística na autobiografia In Straight Up, Without Wings.

Uma das mais importantes clarinetistas e compositoras austríacas, Susanna Gartmayer, tem uma vasta experiência que salta entre o rock experimental, a improvisação livre e a música contemporânea. Natural de Viena – onde reside e faz a curadoria, todas as semanas, das Monday Improvisers Session –, começou por tocar saxofone. Acabou por trocá-lo pelo clarinete baixo, tronando-se, ao longo da última década, numa das instrumentistas e compositoras mais importantes da Europa nesse instrumento. É membro da The Vegetable Orchestra e toca regularmente com Manu Mayr, Stefar Schneider, Thomas Berghammer, Christof Kurzmann, Mona Matbou-Riahi e Brigitta Bödenauer.

O britânico John Edwards conta com uma longa carreira na música improvisada, que remonta aos anos 80. Enraizado no género criativo do free jazz e da improvisação, tem atuado em diversas formações e grupos na Europa, e conta com créditos em mais 450 discos. Colaborou já com nomes como Peter Brötzmann, Evan Parker, Maggie Nichols, Roscoe Michtell, Mark Sanders ou John Dikeman.

Baterista, compositora e cantora brasileira, Mariá Portugal completa este quarteto. Nome incontornável da cena experimental de São Paulo dos últimos vinte anos, trabalhou com Elza Soares, Anthony Braxton, Metá Metá, Maria Beraldo, Arrigo Barnabé, Ute Wasserman ou Fred Frith, Compõe para dança, teatro e cinema e, em 2020 foi convidada para uma residência no Festival Moers, em Colónia. Vive, desde então na Alemanha, onde é também curadora das Soundtrips-NRW – um projeto centrado nas diversas formas de música improvisada, com atividades em diferentes locais da Alemanha – para a cidade de Duisburg.

Os bilhetes para o espetáculo podem ser adquiridos em https://gnration.bol.pt, balcão gnration e locais habituais.

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