O número de crianças com perturbações do neurodesenvolvimento, como défice de atenção, atrasos na linguagem, perturbações da coordenação motora e ansiedade precoce, está a aumentar de forma preocupante em Portugal.
É sabido que, a nível nacional, aproximadamente 1 em cada 100 crianças na idade pré-escolar tem perturbações do espetro do autismo, um aumento considerável de casos diagnosticados nos últimos anos. O mesmo se sucede com crianças com perturbações de hiperatividade e défice de atenção, cujos valores rondam entre os 5% a 7% de casos em Portugal.
É neste contexto que a SalusLive, centro clínico de referência nacional na área da intervenção pediátrica, assinala o seu 11.º aniversário, com um evento dedicado à promoção da saúde infantil e do bem-estar familiar, reunindo profissionais, famílias e especialistas de diversas áreas.
Dado o verdadeiro sucesso da edição anterior, que recebeu cerca de 300 pessoas, o evento reúne no próximo sábado, 18 de outubro, na Rua dos Limoeiros, nº4, em Braga, especialistas de renome, como o psicólogo Alfredo Leite e o neuropediatra Luís Borges.
“Queremos que este momento seja de partilha e reflexão, mas também de esperança. Vamos falar da atualidade, da saúde mental das crianças, do desfralde, da seletividade alimentar e da importância do brincar e experienciar. A nossa missão é continuar a construir um futuro onde cada criança possa desenvolver-se com saúde, equilíbrio e felicidade”, sublinha Raquel Cunha, diretora clínica da SalusLive.
Ecrãs, pressão e ausência: o triplo fator de risco
Segundo a equipa clínica da SalusLive, o uso excessivo dos ecrãs, a pressão escolar precoce e a falta de tempo familiar estão entre as principais causas deste fenómeno.
Cada vez mais, as crianças vivem em ambientes saturados de estímulos digitais, com ritmos que ultrapassam a sua capacidade de autorregulação e o resultado é visível: mais agitação psicomotora, regressões comportamentais, isolamento social e dificuldades de atenção e aprendizagem.
A pandemia veio agravar este cenário, eliminando momentos fundamentais de interação e socialização.
“As crianças perderam parte da infância e os pais, muitas vezes, perderam referências. O desafio agora é reconstruir o equilíbrio”, reforça a mesma responsável.
Pais mais atentos, mas também mais ansiosos
Há hoje uma maior literacia emocional e sensibilidade parental, mas também uma avalanche de desinformação digital.
A SalusLive alerta para o aumento do número de pais que recorrem primeiro à Internet em busca de respostas, o que pode atrasar diagnósticos e tratamentos adequados.
“A boa intenção dos pais é evidente, mas quando se substitui o acompanhamento clínico por conselhos de conteúdos que prometem soluções universais, criam-se expectativas irreais e riscos sérios para o desenvolvimento infantil”, explica Raquel Cunha.
Serviços públicos sobrecarregados e escolas sem resposta
Apesar dos avanços, as respostas públicas continuam insuficientes. Os tempos de espera prolongados e a falta de recursos nas escolas dificultam uma intervenção precoce e inclusiva.
A SalusLive, que transforma vidas há 11 anos, defende um reforço dos apoios em contexto escolar e a criação de medidas personalizadas para garantir a inclusão e o sucesso de todas as crianças — não apenas na escola, mas também na comunidade.
“Queremos continuar a ser um espaço de referência, onde cada criança é vista como única e encontra oportunidades reais para crescer com saúde, equilíbrio e felicidade”, conclui Raquel Cunha.
