Formada por instituições de quinze países europeus, a EMAP – European Media Art Platform é uma das redes mais importantes para o apoio à criação e divulgação das media arts, arte digital, arte robótica e bioarte na Europa. Após um ano de interregno, a rede regressa em 2026 com um programa ambicioso para quatro anos.
No centro do projeto está uma série de residências que procuram dinamizar a criação e intercâmbio artísticos em solo europeu. As candidaturas à open call de 2026 já estão abertas, em call.emare.eu.
Até 13 de março, podem candidatar-se artistas ou coletivos que sejam cidadãos ou contribuintes num Estado-Membro da União Europeia, ou de uma lista de países elegíveis fora da UE. Artistas emergentes, independentemente da idade ou formação académica, são fortemente encorajados a candidatar-se.
As pessoas candidatas devem propor um projeto artístico a realizar através de uma residência de dois meses, entre abril e dezembro de 2026, numa das quinze instituições-membro da rede. O alojamento é assegurado pela instituição acolhedora, que acompanhará e ajudará os artistas com questões técnicas e lhes dará um local de trabalho.
Os artistas selecionados receberão uma bolsa de 4000 euros, um orçamento de produção no mesmo valor, terão as despesas de deslocação asseguradas e serão também convidados para uma conferência-encontro que se realizará a 8 e 9 de maio em Braga. Deverão consultar todos os detalhes em emare.eu.
Para além de apoiar obras contemporâneas na intersecção da arte, tecnologia e ciência, este programa ajuda também a reforçar a visibilidade internacional dos trabalhos desenvolvidos. Numa primeira fase, as obras são expostas na instituição de residência. Posteriormente, serão também apresentadas, em exposições individuais ou coletivas, nas 15 instituições-membro da plataforma.
Acresce ainda a possibilidade de serem mostradas em contextos internacionais, através de uma rede de mais de 150 de instituições parceiras em todo o mundo.
Para além das residências, o programa para o quadriénio da EMAP oferece também um conjunto de ações de capacitação, onde serão abordados temas centrais da cultura digital e media art, como direitos de autor no contexto da inteligência artificial, mediação cultural e desenvolvimento de públicos, e práticas sustentáveis de produção em media art. O projeto está ainda sujeito à aprovação final de financiamento do programa Europa Criativa.
Atualmente, a EMAP é composta pelas seguintes instituições: Ars Electronica (Linz, Áustria), CIKE (Košice, Eslováquia), Chroniques (Marselha, França), gnration (Braga, Portugal), iMAL (Bruxelas, Bélgica), IMPAKT (Utrecht, Países Baixos), Kersnikova Institute / Kapelica Gallery (Ljubljana, Eslovénia), KONTEJNER (Zagreb, Croácia), LABoral (Gijón, Espanha), MEET Digital Culture Center (Milão, Itálica), NeMe (Limassol, Chipre), Onassis Stegi (Atenas, Grécia), RIXC (Riga, Letónia), WRO Art Center (Wrocław, Polónia) e Werkleitz (Halle/Saale, Alemanha), em cooperação com o Silent Green (Berlim, Alemanha).
Nos últimos anos, a EMAP ganhou grande reconhecimento através de vários projetos notáveis que, desde o lançamento da plataforma em 2018, receberam mais de setenta prémios internacionais.
Apresentada no gnration em 2024, Unknown Label, de Nicolas Gourault, recebeu uma Menção Honrosa no Prix Ars Electronica (2024). Em 2025, recebeu o HUMAN AI AWARD do Kunstmuseum Bonn e da Deutsche Telekom.
A versão cinematográfica baseada na instalação, Their Eyes, estreou na Berlinale de 2025, foi exibida online como parte do New York Times OP Docs e, até agora, ganhou treze prémios, além de receber três nomeações e três Menções — incluindo uma nomeação para o César 2026 na categoria Melhor Curta-Metragem Documental.
Hardly Working (2022) do coletivo Total Refusal, também apresentado no gnration em 2024, foi galardoado com 22 prémios e 5 menções honrosas. O trabalho de realidade virtual intangible, de Carl Emil Carlsen, recebeu o Prémio Interativo no CPH:DOX, em Copenhaga em 2024, enquanto o projeto Stranger to the Trees, de Kat Austen – também apresentado no gnration em 2024 – foi premiado com o Falling Walls Arts’; Science Award 2024.
Desde 2022, o gnration é a única instituição portuguesa a integrar a rede EMAP. No âmbito deste projeto, o espaço bracarense acolheu residências de Luiz Zanotello, com a instalação multimédia Tempo e Tempo (2024), Davor Sanvincenti, com a exposição a Natureza não faz barulho, baseada em imagens de vida selvagem no Gerês, e Marc Vilanova com instalação audiovisual Cascade (2023), que tem sido apresentada em todo o mundo.
