Os resultados finais do estudo nacional TRANSfORM confirmam que 86,7% das pessoas com Lúpus Eritematoso Sistémico (LES), incluídas na análise e em tratamento com corticosteróides orais, apresentam uma exposição prolongada a esta terapêutica1, evidenciando o papel ainda central dos corticosteróides no tratamento da doença em Portugal e, da necessidade de definir estratégias que permitam reduzir a sua utilização a longo prazo. Os dados foram divulgados no 15th Lupus Europe Meeting (SLEuro 2026), que decorreu em Lisboa.
Os resultados finais confirmam a elevada utilização de corticosteróides orais no universo da população analisada e a persistência de exposição prolongada – por um período igual ou superior a três meses – um valor que ultrapassa o que as diretrizes internacionais consideram seguro para tratamento de manutenção.
Segundo recomendações da European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR), os corticosteróides devem ser minimizados e, sempre que possível, suspensos2,3. Além disso, caso a doença não esteja controlada com terapêuticas convencionais, a adição de imunossupressores e/ou terapêuticas biológicas deve ser considerada.
Os investigadores do estudo, Prof. Luís Inês e Prof. António Marinho, salientam que “os dados finais do TRANSfORM permitiram caracterizar com maior robustez a realidade portuguesa e mostram que, apesar da evolução terapêutica, a exposição prolongada a corticosteróides continua a ser frequente no LES. Esta informação é essencial para apoiar decisões clínicas e otimizar estratégias de tratamento”.
O TRANSfORM é um estudo conduzido em farmácias comunitárias por todo o país, com uma amostra total de 339 adultos com diagnóstico (auto-reportado) de LES1. No contexto nacional, a população analisada apresenta um perfil consistente com a epidemiologia conhecida da doença, com predominância feminina (90,6%).
O LES é uma doença autoimune crónica, complexa e heterogénea, que afeta cerca de 0,1% da população portuguesa e pode comprometer múltiplos órgãos e sistemas4. Apesar dos avanços terapêuticos, os corticosteróides continuam a ser amplamente utilizados para controlo da inflamação e das exacerbações. De acordo com o estudo, 51,3% dos doentes incluídos utilizam esta terapêutica para o tratamento da doença, dos quais 24,4% em dose fixa1.
O estudo identifica ainda uma carga relevante de comorbilidades com 82,9% doentes a identificar pelo menos uma comorbilidade ou manisfestação do LES, nomeadamente hipertensão arterial, hipercolesterolemia, alterações cutâneas e excesso de peso ou obesidade1. Este perfil clínico é consistente com fatores de risco frequentemente descritos e associados à doença e pode ser influenciado pela exposição prolongada a corticosteróides.
Neste contexto, o TRANSfORM evidencia ainda a importância de abordagens terapêuticas que permitam controlar a doença com menor carga de toxicidade. As chamadas estratégias “steroid-sparing” ou “abordagens terapêuticas que reduzem a dependência de corticosteróides” –imunossupressores e terapêuticas biológicas dirigidas – permitem reduzir ou até eliminar a necessidade de corticosteróides a longo prazo, mantendo o controlo da inflamação e da atividade da doença.
O uso destas abordagens tem vindo a assumir um papel crescente, permitindo reduzir doses de corticosteróides, como também minimizar os efeitos adversos associados a estes fármacos – como aumento de peso, hipertensão, diabetes, osteoporose e aumento do risco cardiovascular – melhorando, dessa forma, a segurança e a qualidade de vida dos doentes.
“Para as pessoas que vivem com LES, a dependência prolongada de corticoides continua a ser uma realidade. A geração de evidência como o TRANSfORM é fundamental para dar visibilidade às necessidades dos doentes e promover o acesso a opções terapêuticas que permitam melhor controlo da doença e melhor qualidade de vida“, afirma Rita Mendes, Presidente da Associação de Doentes com Lúpus.
Para o Diretor Médico da AstraZeneca Portugal, Hugo Martinho, “a geração de evidência em contexto real é essencial para compreender o percurso das pessoas com LES e apoiar a evolução do paradigma terapêutico. O TRANSfORM reflete o compromisso da AstraZeneca com a investigação em doenças autoimunes e com a colaboração com a comunidade científica e associações de doentes”.
O estudo TRANSfORM resulta de uma parceria entre a AstraZeneca, o ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, a Universidade da Beira Interior, a Cientis da Associação Nacional das Farmácias (ANF) e a Associação de Doentes com Lúpus.
